Seija Musou | The Great Cleric Vol 02
– Arco 3: Uma Pedra Melhor Deixada Intacta –
Capítulo 4 [Colhendo os Frutos na Terceira Sala do Chefe]



Treinei minha técnica de espada e escudo no um contra um contra o cavaleiro da morte e refinei meus reflexos contra a multidão do décimo andar. Ainda havia falhas na minha forma, eficiência a ser aprimorada, julgamentos em frações de segundo para serem aperfeiçoados. Se eu conseguisse acertar ao menos um golpe de forma consistente, precisa, como uma máquina, e o amplificasse com Aprimoramento Físico, isso me levaria ao próximo nível. Esquadrões de carniçais, múmias, fantasmas e esqueletos (cavaleiros e arqueiros) caíam diante de mim em massa.

Foi assim que passei os três meses que antecederam o desafio da terceira sala do chefe. Eu estimava que minhas chances de sucesso eram “razoavelmente altas”, mas não estava apenas mirando no sucesso. Eu queria a vitória perfeita.

Três meses atrás, eu tinha quase encontrado meu fim nas mãos de meros carniçais mais vezes do que podia contar. Mas eu tinha meus poderes de cura. Um passo de cada vez, refinei minhas habilidades com cuidado. E agora eu podia enfrentá-los. Era disso que se tratava o esforço contínuo. Eu sentia minha experiência e familiaridade com o combate crescerem a cada batalha.

Ninguém tinha me pressionado sobre minha falta de progresso nos últimos seis meses, mas eu começava a sentir o chamado. Eu estava com vontade de avançar antes que me tornasse um preguiçoso, esbanjando meus salários sem nada para mostrar em troca.

— Toma essa! — gritei. — Muito fácil!

Eu tinha meu estilo ofensivo de espada e lança, meu estilo ortodoxo de espada e escudo e, agora, minha técnica de Aprimoramento Físico adicionava chutes ao meu arsenal. Os mortos-vivos eram fáceis de prever e viravam pedras com um único golpe bem colocado.

Eu estava acumulando tantos pontos com todas as gemas que coletava que estava ficando sem onde usá-los. Eu já tinha tudo de que precisava, e esses itens não quebrariam tão cedo, então não via necessidade de substituições num futuro próximo. Para ajudar a lidar com o excesso de gemas, Cattleya começou a permitir que eu encomendasse armas personalizadas dos anões. Eles também receberam um novo manto mágico mais resistente, muito mais poderoso que o que a Igreja havia me dado (e aquele já valia dez platinas inteiras). Peguei esse por dois milhões de pontos. Não que eu tivesse muito com o que comparar, já que nunca tinha realmente recebido um ataque mágico direto com meu primeiro manto.

Os anões estavam mais do que felizes em prestar seus serviços para seu estranho novo cliente curandeiro de batalha... e isso era exatamente o que eu precisava. Rumores começaram a circular entre pessoas que eu nem conhecia.

— Só fico feliz de ter amigos que estão ao meu lado — murmurei. — Sinto que estou ficando mais forte também... mesmo que não tenha subido de nível há quase meio ano.

Ainda assim, cortar hordas de mortos-vivos cambaleantes não era um trabalho ruim. Pelo menos eu não tinha que lutar contra monstros vivos ou bandidos como o grupo da Lumina. Não sabia como teria lidado se meus inimigos tivessem carne e sangue. Poder ir com tudo contra um oponente sem peso na consciência, enquanto lidava com minhas preocupações, me mantinha renovado e vivo.

Esses pensamentos giravam repetidamente na minha cabeça, até que o dia da minha terceira luta contra um chefe chegou.

Diante da porta, fiz minhas preparações finais.

— Armas, confere. Armadura, confere. Bolsa mágica, confere. Buffs ativados. Substância X, pronto para uso.

Engoli o conteúdo da caneca e soltei um suspiro profundo.

— Certo, vamos nessa.

Empurrei lentamente a porta e entrei com cautela. Assim que passei, ela se fechou com um estrondo, e a luz iluminou a sala. Só que, desta vez, ela não era quadrada. Eu estava em uma encosta cônica, inclinando-se para baixo.

Mas isso era o menor dos meus problemas.

— Você só pode estar de brincadeira.

A ameaça diante de mim era como nada que eu já tivesse enfrentado. Três wights. Cinco cavaleiros da morte. Todos os seus olhos vermelhos brilhantes agora estavam fixos em mim.

Concentrei minha energia mágica, ativando-a dentro de mim e fortalecendo todo o meu corpo de uma vez, então acendi o pavio da batalha com um cântico.

— Ó santa mão da cura. Ó sopro gerador da terra. Atendei minha prece. Bani as impurezas diante de mim e guiai-as à libertação. Purificação!

Corri pelo chão inclinado enquanto conjurava, para evitar ser cercado ou sobrecarregado por um ataque concentrado. Mas, como esperado, por mais que eu cantasse, nenhum dos oito foi bonzinho o suficiente para cair para mim. Eles congelaram no lugar, no entanto, me dando tempo suficiente para guardar minha espada, invocar uma adaga e lançá-la sem muita precisão. Meu único objetivo era reduzir o número de inimigos.

A lâmina cravou direto no crânio de um dos cavaleiros. Joguei mais adagas, mas tudo que lancei contra os wights foi bloqueado pelos cavaleiros, agora livres da paralisia. Eles ergueram seus cajados e dispararam feitiços. Mas, sem inteligência para prever meus movimentos, seus ataques foram facilmente evitados enquanto eu continuava correndo.

Os cavaleiros da morte não saíram de sua posição defensiva no centro plano da sala. Nenhuma das magias lançadas contra mim era particularmente forte, então, se isso era tudo que tinham, então era a minha vez.

Bombardeei-os com uma Purificação atrás da outra. Após minha quinta conjuração, senti a energia maligna no centro começar a enfraquecer. Lançando uma sexta vez, amplificando minha força ao máximo, vi os mortos-vivos ficarem completamente imóveis e parti para cima com um grito de guerra. Eu tinha algo novo para testar.

Eles sabiam que eu estava vindo, mas estavam paralisados, e os cavaleiros mal conseguiam erguer seus escudos, enquanto os wights tentavam levantar seus cajados para conjurar lanças de água negra, ar e terra.

Minha estratégia tinha funcionado tão bem que só podia ser pura sorte—Monsieur Sorte. O Deus do Destino parecia estar ao meu lado a cada passo.

Indiferente às magias inimigas, ergui meu escudo fortalecido por minha barreira mágica. Minha armadura de paladino e manto mágico me protegeram ainda mais. Várias lanças me atingiram, mas se dissiparam sem causar dor, como se fossem nada.

Os cavaleiros baixaram suas defesas e assumiram posturas de batalha, e foi aí que a maré virou a meu favor. Era exatamente o que eu estava esperando.

Desviei os golpes de duas lâminas e, quando todos os oito estavam ao meu alcance, entoei:

— Ó santa mão da cura. Ó sopro gerador da terra. Atendei minha prece. Pegai minha energia para um sopro angelical e curai os seres deste mundo. Cura em Área Avançada!

Era isso que eu queria testar. E funcionou. Muito melhor do que minha magia de purificação anterior.

Os monstros gritaram de agonia e largaram suas armas um por um. Seus berros soaram tão atormentados que meu estômago revirou, mas essa era minha chance e eu não podia deixá-la escapar.

Aproximei-me dos wights, conjurei uma segunda Cura em Área Avançada e os cortei ao meio. Eles não foram páreo para minha força aprimorada e desapareceram instantaneamente.

Finalizei a conjuração, e com a segunda Cura em Área Avançada, os cavaleiros da morte também começaram a se dissolver.

Tão fácil assim.

— Ufa — suspirei. — Isso saiu quase perfeitamente.

Ou pelo menos foi o que pensei, até considerar a quantidade de magia que gastei de uma vez só. Com certeza devia haver um método mais eficiente, comecei a refletir.

Recolhi as pedras, purifiquei os itens e os guardei. Também purifiquei a sala em si, caso aquela fumaça roxa e espessa, na qual os mortos-vivos desapareceram, fosse tóxica. Durante todo esse tempo, fiquei relembrando a batalha, grato por ter aprendido aquele novo feitiço. Tinha certeza de que, se esse tivesse sido meu primeiro chefe, eu teria morrido. Por mais que a horda do décimo andar tivesse sido avassaladora, um enxame de zumbis ainda não era nada comparado a cavaleiros da morte.

Essa luta definitivamente esteve longe de ser perfeita. Parecia impecável apenas porque as coisas tinham dado certo para mim. Agora, só conseguia pensar no que poderia ter feito melhor.

— Nem quero imaginar o quão ferrado eu estaria se tivesse que enfrentar essa quantidade logo na primeira sala de chefe.

Enquanto terminava de ajeitar tudo, a escadaria para o próximo nível apareceu com o mesmo estrondo de sempre. O andar quarenta realmente existia, assim como o papa havia dito.

Se os cavaleiros da morte nos corredores do labirinto eram como soldados rasos, novatos, então os das salas dos chefes deviam ser cavaleiros veteranos de verdade. Fiquei me perguntando qual seria o sistema de hierarquia desses cavaleiros e, então, lembrei que existiam habilidades de domesticação de monstros. Seria interessante conversar com alguém experiente nessa área.

Os cavaleiros da Igreja supostamente chegaram até aqui no passado, então os monstros que os fizeram se voltar uns contra os outros provavelmente estavam próximos. Devia haver algum baú de tesouro ou item essencial para lidar com isso, certo?

De repente, me dei conta de como minha vida na Igreja era monótona. Eu parecia um monge asceta, enfrentando espíritos malignos em busca da iluminação.

Sentei-me para almoçar, a sala já limpa após minha magia de purificação, e então segui direto para o andar trinta e um.

O primeiro inimigo que cruzou meu caminho foi um ghoul. Sua coloração incomum indicava que essas criaturas seriam um nível acima das suas contrapartes dos andares superiores. Recuar imediatamente para a sala do chefe foi um reflexo, e ali encontrei cinco cavaleiros da morte à minha espera.

— Parece que tenho uma nova sala de treinamento.

As habilidades desses cinco cavaleiros provavelmente estavam no mesmo nível, senão superiores, às minhas. Eles seriam o treinamento perfeito para minha magia e para o aprimoramento físico. Meu estômago, no entanto, seguia seu próprio cronograma, e eventualmente fui forçado a ceder ao seu ronco.

De qualquer forma, esse dia — o centésimo nonagésimo oitavo desde que comecei a descer o labirinto — marcou minha vitória contra o chefe do trigésimo andar.


Tradução: Carpeado
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