Seija Musou | The Great Cleric Vol 02
– Arco 3: Uma Pedra Melhor Deixada Intacta –
Capítulo 1 [Equipamento OP e um Estômago Cheio]
No dia seguinte ao alvoroço na Guilda dos Aventureiros, uma grande procissão foi realizada para a despedida dos cavaleiros. Multidões de pessoas se reuniram e afogaram seus heróis em uma cacofonia de aplausos. Para a surpresa das Valquírias e dos templários, muitos desses aplausos vinham acompanhados de frases como “Seja como o Sir Zumbi”, “Sir Masoquista” ou até mesmo “Santo Esquisitão”.
Lumina e seu regimento me avistaram do alto de seus cavalos e partiram da Cidade Santa com sorrisos destemidos.
— Cara, eu falei pra eles pararem com esses apelidos — resmunguei. — Ah, tanto faz.
Dei uma volta pela cidade para comer, depois passei na Guilda dos Aventureiros para pegar os suprimentos que havia encomendado. Peguei o restante dos meus mantimentos no refeitório da sede e segui para o labirinto.
Cattleya estava em frente ao balcão, lendo um livro.
— Bom dia — ela me cumprimentou. — Começando tarde hoje?
— Algo assim. Fui ver a despedida das Valquírias.
— Vai voltar pro labirinto, então? Imagino que voltará no horário de sempre.
— Não, dessa vez ficarei lá por mais tempo. Ouvi dizer que o pessoal aqui na sede não gosta muito de mim, então estou pensando em me esconder por um tempo.
— Você sabe que não posso deixar você fazer algo tão perigoso.
— Mas o único motivo para eu voltar pro meu quarto é dormir — argumentei. — E tenho bastante comida na bolsa. Estou completamente preparado.
— Não estou preocupada com sua nutrição, Luciel — ela suspirou.
— Vou ficar bem. As câmaras principais são perfeitamente seguras depois que limpo os monstros que já estão lá.
— O excesso de confiança pode te matar.
— É exatamente por isso que estou indo para lá. Arranjei alguns inimigos potencialmente letais por me aproximar das Valquírias. Dessa forma, posso desaparecer e ficar seguro.
— Tudo bem — ela cedeu —, mas quero ver você de volta aqui pelo menos uma vez por semana. Os itens que você tanto perturbou Sua Santidade para conseguir devem chegar em breve.
Fiquei imaginando o que poderia ser. Minhas expectativas estavam altas, considerando de quem vinham.
— Entendido.
— Não morra, tá bom?
— Não se preocupa, esse é o meu lema. Nos vemos em uma semana.
— Se cuida.
Desci ao labirinto e imediatamente lancei Aura Coat, abrindo caminho rapidamente pelo primeiro andar. Quando cheguei à sala do chefe no décimo andar, meu estômago já estava pedindo uma pausa para o almoço. Como tinha demorado um pouco vendo a partida de Lumina e das outras, já era tarde.
— Não acredito que consegui correr até aqui. Olha só pra mim.
Purifiquei a sala, comi minha refeição habitual e desci direto para o vigésimo andar após um breve descanso.
— Droga! — resmunguei. — Ó santa mão da cura, expulse as impurezas diante de mim. Purificação!
Uma grande quantidade de magia escapou de mim com o encantamento reduzido, mas o cavaleiro da morte caiu mesmo assim. Quando eu vencia aquela coisa, vencia por completo. Mas se errasse uma vez que fosse, a coisa ficava feia. Eu ainda tinha um longo caminho a percorrer.
— Ufa, estou morrendo de fome. Acho que já é hora do jantar.
Peguei da bolsa alguns dos alimentos que comprei na cidade. Foi então que percebi como seria conveniente ter trazido uma mesa para comer também.
Dado o clima opressor da masmorra, a refeição quente acalmou minha alma. Fiz a escolha certa ao estocar comida de vários lugares para garantir a variedade. Depois do jantar e de mais algumas rodadas contra o cavaleiro da morte, comecei a sentir sono. Purifiquei a sala do chefe, lancei outro Aura Coat e espalhei alguns barris de Substance X por precaução antes de dormir.
Acordei olhando para um teto desconhecido... espera, era só o teto do labirinto. Levantei num pulo, mas nada tinha mudado. O cômodo estava exatamente como eu havia deixado. O que me chocou foi o quão bem eu tinha dormido num lugar desses. E no chão frio de pedra, ainda por cima.
Olhei ao redor, mas não havia sinal de monstros, e não senti nada fora do comum. A purificação da noite anterior ainda estava ativa. Depois de um bom café da manhã, enfrentei o cavaleiro da morte mais uma vez e comecei a explorar o vigésimo primeiro andar.
— Já bastavam os necrófagos, agora tem múmias também?
A Purificação ainda funcionava perfeitamente, mas esses novos inimigos eram bem diferentes do que eu estava acostumado. Eu já estava no meu limite, e os andares inferiores ficando cada vez maiores não ajudavam. Ainda assim, continuei. Foi exaustivo, mas, bem na hora em que meu estômago começou a roncar, finalmente terminei de mapear o andar.
— Nenhuma armadilha, pelo visto. Hora de voltar.
Voltei rapidamente para a escada de subida e deixei um pouco de Substance X na base dela para ver se os monstros iriam me seguir. E, como esperado, nenhum deles o fez.
— Mas que diabos é essa coisa?
Guardei o líquido OP de volta na bolsa e subi as escadas até a sala do chefe, ignorando os mortos-vivos que agora vinham em minha direção. Depois de derrotar o cavaleiro da morte mais uma vez, chegou a hora do almoço. Então o deixei ressurgir para enfrentá-lo sem magia, um contra um.
Desde que ele não atingisse meus pontos vitais ou amputasse algum membro, eu tinha certeza de que conseguiria me curar. A dor era tranquila; bem-vinda, até. Eu já estava acostumado com isso nas lutas contra o Brod, e era uma ótima professora. Mas, ao lembrar dos aventureiros mutilados que não consegui curar outro dia, soube que precisava estabelecer um limite. Se a coisa ficasse feia, usaria magia, mas só então.
Nos dois dias seguintes, completei minha exploração dos andares vinte e dois e vinte e três, apesar dos monstros nada animadores no caminho. E, no sexto dia, marcando uma semana inteira nas profundezas, voltei para a loja como prometido. Não queria adicionar Cattleya à minha lista de inimigos.
Saí do labirinto e lá estava ela, em seu lugar no balcão da loja.
— Voltei — anunciei. — Aqui estão as pedras que consegui.
— Ainda bem que você está bem. E sorte a sua ter voltado antes do previsto. Tenho algumas armas, armaduras e outros itens mágicos para você.
Parece que eu estava um dia adiantado. Não tinha checado o relógio na minha tela de status, então devo ter perdido a noção do tempo.
— Só fiquei cinco dias lá dentro? Meu relógio biológico deve estar desregulado. Mas acho que no fim das contas deu certo.
Após converter minhas pedras mágicas em pontos, Cattleya explicou as funções dos meus novos itens:
Uma espada de mithril de aparência familiar, sensível à magia e especialmente eficaz contra mortos-vivos quando combinada com magia sagrada, e uma lança de mithril com propriedades semelhantes.
Um escudo contra o mal: resistente à magia negra, infundido com luz e repulsivo para mortos-vivos.
A armadura usada por todos os paladinos, imbuída com luz e resistente à magia negra. Ela era isolada contra miasma, leve, bem ventilada e permitia liberdade total de movimento.
As manoplas do Sábio, que reduziam o consumo de magia em um terço e aumentavam o poder mágico em vinte por cento.
Um par de botas terrestres, um nome um tanto enganoso, já que na verdade eram muito leves, mas mais duras que ferro quando infundidas com magia. Um item desesperadamente cobiçado por qualquer guerreiro.
O Travesseiro do Anjo, que dizia proporcionar um sono profundo e tranquilo, aliviando o cansaço de quem o usasse. As ondas de magia luminosa que ele emitia repeliam monstros e protegiam contra pesadelos.
— As armas são uma coisa, mas tudo isso aqui é simplesmente incrível — murmurei, maravilhado com os presentes. — É tudo pra mim? Por que tem tanta coisa?
— Porque as pessoas estão esperando grandes feitos de você — respondeu Cattleya. — Mas, sendo sincera, parte disso é porque você é o primeiro curandeiro que conseguiu equipar esses itens. Nós os temos há anos, guardados, esperando alguém que finalmente conquistasse o labirinto para reclamá-los.
— Um paladino ou templário não poderia usar o escudo devorador de maldade ou as manoplas do Sábio?
— Não exatamente. Há um pré-requisito específico para usá-los.
— Como o quê?
— Ah, esquece os detalhes. Que tal experimentá-los? — ela insistiu.
— Se você diz… — Fiz o que me foi pedido.
— Nossa, você ficou muito imponente. Fico feliz que tenha atendido às condições para equipar tudo.
— Você mencionou isso antes — comentei.
— Sim. Um dos requisitos para usar esses itens é ter derrotado mais de mil inimigos mortos-vivos — explicou ela. — Outro é ter uma das suas habilidades acima de um certo nível.
Como esses pré-requisitos eram julgados? Quem estava lá com um martelo, decidindo quem podia ou não usar certos tipos de armadura? Essas eram perguntas que talvez fosse melhor deixar de lado.
— Uau, isso parece difícil.
— Então — disse ela, mudando de assunto —, quais são seus planos para hoje?
— Vou descer de novo. Mas antes, gostaria de comprar o máximo de adagas arremessáveis que puder, por favor.
— Você me preocupa às vezes, Luciel — ela resmungou, me entregando dez adagas de prata sagrada.
— Eu vou ter cuidado. Sabe, as câmaras principais ficam surpreendentemente confortáveis depois que tudo é purificado.
— Essa é uma descoberta interessante. Só tome cuidado. O cheiro daquele lugar já causou baixas demais.
— Voltarei imediatamente se começar a me sentir mal.
— E quero ver você aqui de novo dentro de uma semana — insistiu ela.
— Entendido. Poderia agradecer a Sua Santidade por mim na próxima vez que a vir?
— Claro.
— Bem, estou indo.
— Volte em segurança.
Desci correndo até o décimo andar em um ritmo acelerado, eliminando rapidamente os monstros pelo caminho com meu novo equipamento. Naquela noite, transformei a sala do chefe em meu quarto, e na manhã seguinte corri praticamente até o vigésimo andar.
De todos os itens que recebi, meu favorito em segredo acabou sendo o Travesseiro do Anjo.
Tradução: Carpeado
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