Seija Musou | The Great Cleric Vol 02
– Arco 2: O Labirinto e as Valquírias –
Capítulo 07 [Uma Batalha Decidida, Negociações Papais em Andamento]
Sob minha túnica, eu mantinha minha sacola pendurada no ombro. Enfiei a mão nela e puxei meu arco e aljava.
— Prepare-se, amigo.
Coloquei a flecha no arco, puxei a corda e mirei. O wight rosnou de forma ameaçadora. Quando encontrei meu alvo, infundi minha magia na flecha e a disparei no momento em que a criatura ficou impaciente o suficiente para começar a carregar sua própria magia. A flecha passou direto pelo lado esquerdo do monstro, raspando de leve sua túnica. Imediatamente preparei o próximo disparo, lamentando o quão pouco eu tinha praticado arco e flecha.
Embora eu tenha errado o primeiro tiro, o wight desviou para o lado com um rugido furioso. Senti sua raiva aumentar no ar entre nós, talvez porque eu tivesse interrompido seu feitiço. Ou talvez porque eu tivesse rasgado sua túnica. Ou os dois.
— Vamos lá, começa logo o próximo feitiço — provoquei, tentando ganhar tempo para recuperar um pouco de magia e resistência. Felizmente, eu tinha sido treinado na arte de Brod.
Vou comprar um souvenir para você quando eu receber, mestre, pensei, enquanto disparava minha próxima flecha. Mais uma vez, ela passou sem acertar meu adversário. Preparei o próximo tiro, mas o wight simplesmente não atacava. Apenas uivava, e eu compartilhava de sua frustração.
Continuei disparando e errando, e isso estava começando a me desgastar.
— Acho que é agora que algum tipo de poder latente deveria despertar de repente!
Aos poucos, senti minha força retornar o suficiente para me permitir mover... Pelo menos por um tempo. Disparei minha décima terceira flecha e então entrei em ação. Agora eu estava agindo apenas com adrenalina. Cattleya havia dito que curandeiros não podiam conjurar feitiços enquanto balançavam armas, porque a magia exigia concentração. Eu não sabia se a mesma regra se aplicava a mortos-vivos, mas era a única pista que eu tinha, então agarrei-me a ela.
A raiva e o ódio do wight em relação a mim eram palpáveis, tão intensos que ele teria estourado uma veia, se tivesse alguma. Em resumo, ele estava puto da vida.
— Honestamente, estou até impressionado com sua capacidade de ficar tão bravo. Normalmente, as pessoas não conseguem manter a raiva pelo mesmo motivo por mais de quinze minutos. Mas, bem, você não é uma pessoa, é um monstro.
Minhas provocações estavam funcionando? Eu não fazia ideia. Mas continuei, respirando fundo e esperando pela minha chance. Refiz o plano várias vezes na minha cabeça, disparando flechas e buscando o momento certo. Então, lancei minha décima sétima flecha e corri direto para o monstro. Ele se esquivou amplamente para proteger sua túnica, mas percebeu minha investida e começou a conjurar seu feitiço. Era exatamente isso que eu esperava.
Disparei minhas últimas três flechas em rápida sucessão, quebrando a magia que ele havia acumulado em seu cajado. Um instante depois, puxei a espada de Brod da minha sacola, infundi-a com magia e saltei, cravando a lâmina direto no topo da cabeça do monstro, dividindo-o ao meio. Ele caiu.
Normalmente, este seria o momento em que o corpo desapareceria. Se não fosse um inimigo de nível chefe, é claro.
Ele se ergueu atrás de mim e começou a conjurar um feitiço mortal.
— Vi isso chegando a quilômetros de distância! Sabia que o desgraçado que fez este lugar não ia facilitar minha vida!
Girei rapidamente e peguei a lança curta convenientemente colocada aos meus pés, arremessando-a como um raio contra o wight, que já havia se reconstituído. Assim que a lança perfurou sua pele ressequida, avancei e a empurrei ainda mais fundo antes de erguer a espada na minha mão esquerda e cortar a cabeça do monstro num golpe limpo.
Dessa vez, fique morto!, gritei em minha mente.
A cabeça soltou um grito enquanto voava pelo ar, até que, junto com o corpo, desapareceu como poeira ao vento, deixando para trás apenas sua túnica, seu cajado, seu colar e uma pedra vermelha várias vezes maior que qualquer outra que eu já tinha visto.
— Isso! — comemorei, mas logo fiz uma careta ao lembrar das dores no meu corpo. — Por favor, funciona dessa vez. Ó Senhor, receba minha energia e cure essa ferida. Curar!
Uma luz pálida e familiar me envolveu.
— Então, sem magia até derrotar o chefe. Essas ilusões não são muito diferentes de videogames.
Depois de um pequeno descanso, me purifiquei com Purificação e usei Recuperação por precaução.
— Isso cobre qualquer condição negativa.
Cuidei das feridas restantes com Cura Intermediária, mas deixei a fadiga e os músculos queimando para se recuperarem naturalmente.
— Se eu me enfraquecer até a próxima vez que ver o Brod, eu... Eu nem quero pensar nisso.
Com um último esforço, coletei as pedras espalhadas pela sala, além da túnica, do colar e do cajado, depois de lançar Purificação sobre eles.
Assim que terminei, o chão tremeu. Um novo caminho descendo foi revelado.
— É claro que tem mais. Já entendi a mensagem, pessoal.
Olhei para as escadas.
— Espera aí...
Corri de volta para a porta principal da câmara e a puxei, rezando para que abrisse, até que finalmente cedeu com um rangido. Sem itens ou magia para escapar de masmorras, eu não sabia o que teria feito se ficasse preso ali. Um alívio tomou conta de mim.
— Como vou levar tudo isso de volta? Tenho quatro barris de Substance X, a espada do Brod, meu almoço... Não posso deixar nada para trás. Preciso levar esses três itens do chefe, então o que posso abandonar aqui?
Entre minha espada de prata sagrada, a lança curta, o arco e a aljava, só dava para levar um na bolsa.
— Ah, dã, por que eu simplesmente não visto minha espada? E já estou com fome, então vou almoçar agora.
Usei Aura Coat e Purificação, como de costume, depois devorei minha refeição deliciosa, finalizando com minha dose habitual de Substance X.
Espera... Opa, eu já tinha tomado antes de entrar aqui, percebi tarde demais.
Meu corpo estava no limite. Decidi que esse era um bom momento para encerrar o dia, então, assim que terminei de comer, saí da masmorra às pressas.
Cattleya estava no balcão da loja.
— Oi, Cattleya.
— Oi! De volta tão cedo?
A luta tinha sido difícil, mas não durou muito, especialmente comparada às minhas incursões habituais.
— Me machuquei um pouco, então resolvi parar cedo.
— Você ainda é novato. Acontece. Fico feliz que esteja se controlando.
— Não sei... Acho que me deixei levar pela arrogância. Acho que preciso de uma palavra de incentivo — falei com um sorriso sem graça, colocando minha bolsa cheia de pedras no balcão.
— Suponho que isso signifique que seus pontos vão ser menores desta vez.
— Pode ser que sejam até maiores. E depois disso, tem algo que quero que você veja.
— Agora fiquei curiosa. Deixe-me ver o que você trouxe.
Derrubei a bolsa no balcão com um baque. Quando ela abriu, a enorme gema do wight estava no topo da pilha.
— L-Luciel, o que é isso?!
— Pois é, sobre isso... Sabe a sala do chefe no décimo andar? Tinha um enxame gigante de monstros lá e eu não pude usar magia. Foi um inferno.
—‘Sala do chefe’? Espera, você disse décimo andar?
—Isso mesmo. Consegui acabar com a horda, mas depois disso apareceu um wight. Ele tinha uma coroa, flutuava pelo lugar e atirava magia em mim. Achei que ia dar game over.
Eu tinha pensado em levar os itens do wight para serem avaliados na Guilda dos Aventureiros, mas não sabia se pertenciam a alguém, então decidi perguntar para Cattleya primeiro.
—Por que você fez algo tão imprudente? — O tom calmo de sempre dela sumiu. Ela estava quase assustadora.
—Não foi de propósito. Eu não fazia ideia do que tinha lá dentro, nem que não conseguiria usar magia. Ninguém me avisou.
—Ninguém te explicou nada disso?
Isso começava a parecer culpa do Jord. E, bem, meio que era.
—Não. É só o meu décimo primeiro dia. E eu sou um exorcista. Não é esse o meu trabalho?
—Você é... Sim, é. — Ela fez uma pausa. — Hm, você está livre agora?
—Eu estava pensando em voltar para o meu quarto para descansar.
—Tem um lugar onde eu quero te levar quando terminarmos aqui. Tudo bem?
—Ah, claro. — Como se eu tivesse escolha.
—Essas pedras somam 108.914 pontos.
—Er... Tem certeza de que não tem um zero a mais?
—Sim. Está correto.
—Ah. Ok. — Bem, era um chefe, afinal.
—E você tinha algo mais para me mostrar?
—Certo. Eu não consigo avaliar esses itens sozinho. Quando derrotei o wight, ele deixou para trás alguns dos seus equipamentos. Também o purifiquei, só para garantir... — Estendi a mão para pegar meu cartão de volta de Cattleya, mas o rosto dela estava bem na minha frente.
—Me mostre! — ela gritou.
Dá para dar um passo para trás primeiro?! Por que garotas bonitas são tão assustadoras?!
—C-Claro, sem problema — gaguejei. — Aqui está a túnica, o colar e o cajado.
Cattleya pegou cada item com atenção, um por um, e depois os colocou de volta no balcão. Depois de um tempo, disse:
—Guarde isso na sua bolsa e me siga. — Então pulou o balcão e foi direto para o elevador. — Agora!
—S-Sim, senhora! — Eu não fazia ideia do que estava acontecendo, só obedeci. Mas uma coisa era certa—essa mulher era muito mais do que apenas uma balconista.
—Ah, olá, Cattleya, Luciel — Jord nos cumprimentou. — Para onde vocês estão indo com tanta pressa?
Cattleya não perdeu tempo.
—Para um lugar onde precisamos estar rápido, Jord.
—Certo, desculpa — ele se apressou em sair do caminho, empalidecendo.
—Desculpa, mas eu também não sei o que está acontecendo — sussurrei enquanto a seguia.
A cada passo, a ansiedade crescia. Passamos por áreas altamente restritas, lugares onde eu jamais imaginei que pisaria. Atravessamos a seção dos paladinos e templários, depois subimos além dos padres e bispos, até passarmos pela área dos arcebispos. Em seguida, outro elevador—um que eu jamais encontraria sozinho.
Cattleya, por outro lado, não disse uma única palavra. Eu queria perguntar algo, mas nunca parecia o momento certo. A tensão no ar tornava qualquer conversa inviável. Então apenas seguimos em frente.
Depois de mais um elevador, paramos diante de uma porta com a placa “Câmara Papal”.
Cattleya bateu na porta.
—Sou eu, Cattleya, Vossa Santidade. Solicito uma audiência para discutir um assunto urgente...
Antes que pudesse terminar, uma voz veio do outro lado.
—Pode entrar.
—Me siga e faça como eu fizer.
—Ok.
Do outro lado da porta, vi mulheres que pareciam damas de companhia. Elas não deram a mínima para Cattleya, mas me lançaram olhares desconfiados. O cômodo parecia uma daquelas salas de audiência dos livros, com o Papa escondido atrás de um véu. Eu me senti completamente deslocado, mas segui em frente.
Cattleya parou antes da escadaria que levava ao Papa e se ajoelhou. Fiz o mesmo.
—Cattleya, alegra-me vê-la bem. Mas o rapaz que traz consigo, eu não tenho nome para saudá-lo. O que a traz até mim? — A voz por trás do véu era suave, etérea e, para minha surpresa, jovem e feminina. O Papa era uma mulher.
—O rapaz é nosso mais novo exorcista, Vossa Santidade — Cattleya relatou. — Ele assumiu o posto há alguns dias e demonstrou uma eficiência impressionante em seu trabalho.
—Oh? Certamente tem mais a me contar.
—De fato, Vossa Santidade. Hoje, ele chegou ao décimo andar do labirinto e enfrentou um wight. O covil da criatura parecia ter propriedades que obstruem magia, algo até então desconhecido para nós.
—Isso é verdade?!
—Sim. O rapaz conseguiu recuperar as vestimentas do wight. Minha avaliação confirmou a autenticidade do relato, então o trouxe até aqui.
Essa não era a Cattleya que eu conhecia. Ela devia ter alguma habilidade de avaliação.
—Entendo. Rapaz, pode falar. Diga-me seu nome.
—Meu nome é Luciel.
—Luciel, revele os itens dos quais Cattleya falou.
—Claro, mas aviso que os purifiquei com magia, caso algum estivesse amaldiçoado.
—Compreendo.
Entreguei a túnica, o colar e o cajado para um atendente.
—Eu duvidei das minhas suspeitas, mas não mais — disse o Papa. — Essas vestes só podem pertencer a Ozanario, cujo paradeiro nos escapa há mais de uma década. E este é seu colar espiritual. E o cajado da perturbação. Você fez bem em devolver seus pertences.
Pareciam ser itens bem importantes.
—O colar espiritual — ela continuou — reduz pela metade o consumo de magia. O cajado da perturbação dissipa e distorce a energia mágica, tornando os feitiços alheios ineficazes. Essa magia dispersa pode então ser acumulada e liberada. É uma arma poderosa.
Parecia bem OP, para ser honesto.
—Luciel, desejo ficar com esses itens.
Não havia a menor chance de eu recusar. Não com Cattleya ao meu lado, que provavelmente me mataria se eu tentasse. Mas eu poderia pedir algo em troca, certo? Não devia nada a ela. Era hora de usar minhas habilidades de negociação.
—Eles devem significar muito para você — comentei. — E, dado o poder que têm, aposto que são inestimáveis. Eu entendo. Eles são seus.
—Você tem minha gratidão.
—Fico lisonjeado, Vossa Santidade. Mas, se me permite, gostaria de pedir um favor em troca...
—Estou ouvindo.
—Durante minha exploração no labirinto, percebi que preciso carregar mais itens. Minha bolsa mágica é pequena demais e eu ficaria extremamente grato por uma maior.
—Isso é tudo? Se for, aliviarei esse fardo com uma bolsa mágica, não uma sacola. Ela permitirá armazenar itens em um espaço-tempo suspenso, do tamanho desta câmara, e todo seu conteúdo será conhecido por você.
O Papa era bem generosa.
—Me daria algo tão valioso assim?
—Daria, em troca de sua contínua ajuda. Caso descubra algo relevante em sua jornada, retorne aqui com Cattleya e será recompensado. Procure-a amanhã para pegar sua nova bolsa. Estou em sua dívida, Luciel.
—Obrigado, Vossa Santidade.
Cattleya e eu fizemos uma reverência e saímos.
—Você tem coragem, Luciel — Cattleya suspirou.
—Er, tenho? Eu estava bem nervoso lá.
—Não pareceu, do jeito que pediu um favor ao Papa.
— Eu fui, ahn, rude?
Ela riu. — Acho que você foi bem. Ela não teria oferecido aquela bolsa mágica se não tivesse gostado de você. Relaxe um pouco.
O nervosismo no rosto dela não era muito convincente.
Ela me acompanhou de volta pelos corredores familiares antes de nos separarmos.
— Será que ela trabalha diretamente para o papa? — murmurei.
A tensão e a empolgação de ter derrotado meu primeiro chefe já tinham passado, mas me confortava a ideia da bolsa nova e estilosa que eu ia ganhar.
Tradução: Carpeado
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