Seija Musou | The Great Cleric Vol 02
– Arco 2: O Labirinto e as Valquírias –
Capítulo 03 [O Labirinto dos Mortos-Vivos]
Acordei no meu horário habitual na manhã seguinte.
— Acho que agora sou oficialmente uma pessoa matinal. Mas cara...
Eu deveria estar me sentindo aliviado, já que não precisava mais treinar com meu mestre, mas, por algum motivo, estava mais inquieto do que nunca e não fazia ideia do porquê. Suspirei e comecei a andar pelo labirinto de corredores em direção ao refeitório. Ainda estava cedo o suficiente para o sol mal ter nascido, então imaginei que alguns trabalhadores do turno da noite ainda estivessem por ali.
No caminho, cruzei com uma das garçonetes que tinha me servido o jantar na noite anterior.
— Você é o novo curandeiro de grande apetite — comentou ela. — O que faz acordado e perambulando tão cedo?
— Bom dia. Me desculpe por ter dado tanto trabalho para você e seus colegas. Sou Luciel, a propósito. Acho que vamos nos ver bastante por aqui.
— Nossa, mas que educação! Não se preocupe, querido. Coma o quanto quiser. Eu sei que os curandeiros daqui do QG passam por poucas e boas.
Isso não foi nada tranquilizador.
— Vou tentar aguentar firme — respondi com uma risada. — O refeitório já está aberto? Se não, a que horas servem o café da manhã?
— Ainda faltam umas duas horas. Os sacerdotes daqui adoram dormir até tarde.
— É mesmo? Existe algum campo de treinamento por aqui?
— Tem sim, mas cada divisão usa uma instalação diferente. Melhor perguntar para alguém mais acima na hierarquia.
— Ah, entendi. Vou fazer isso. Só mais uma coisa, eu posso pedir refeições para viagem?
— Não vejo problema, mas para onde você vai?
— Só para um trabalho.
— Bom, não exagere no esforço.
— Vou tentar não exagerar — respondi com uma risada.
Sem muito o que fazer até o café da manhã, voltei para o meu quarto e pratiquei mais um pouco de magia para passar o tempo.
***
Depois de comer, peguei um almoço para viagem e fui até o quarto de Granhart.
— Você demorou.
Ele estava parado na minha espera junto com outro jovem que parecia ter uns vinte e poucos anos.
— Bom dia. Me desculpe pela demora.
O estranho soltou uma risada descontraída.
— Não esquenta. Aposto que o senhor Gran aqui nem te falou o horário do encontro, não foi?
— Isso é com certeza...
Granhart me olhou nos olhos e depois desviou.
— Isso é com certeza exatamente o que aconteceu — zombou o outro homem. — Meu nome é Jord. Eu sou o cara que fazia o seu trabalho. Até hoje, pelo menos.
— Prazer em conhecê-lo. Sou Luciel... Seu sucessor, pelo visto.
— Pegue isso — Granhart me interrompeu, entregando-me um robe branco idêntico ao que Jord vestia.
— O que é isso?
— Todos os curandeiros e paladinos do QG da Guilda, assim como curandeiros de Rank A ou superior, recebem esses robes. Eles foram tecidos com fio sagrado para proteção contra miasma.
O tecido brilhava com um tom prateado e puro. Se eu usasse uma coisa chamativa dessas na Guilda dos Aventureiros, seria ridicularizado na hora.
— "Fio sagrado"? Isso parece caro.
— Dez moedas de platina, para ser exato. Mas isso não vem ao caso. Enquanto estiver vestindo esse robe, você representa a Guilda dos Curandeiros, então comportamentos tolos não serão tolerados.
Dez moedas de platina... Um bilhão de ienes... De onde a Igreja tirava tanto dinheiro? Acho que era melhor eu nem saber.
— Entendido.
— Pegue isso também.
Ele me entregou um cartão e uma mochila. A mochila eu entendia, mas não fazia ideia da utilidade do cartão.
— O que é isso?
— Você pode usá-lo para acessar o elevador mágico e sair do castelo sem precisar da minha permissão.
— Eu posso?! Isso é ótimo, obrigado!
— Estou te dando isso porque sou um homem ocupado, mas você deve prometer que não causará problemas. Além disso, está proibido de trazer doentes, crianças, animais de estimação, qualquer pessoa ou qualquer coisa para o QG. Você deve jurar isso.
Eu não estava em posição de discutir.
— Eu juro.
— Muito bem. Jord e eu, Granhart, somos testemunhas desse juramento.
O cartão brilhou de repente, me pegando de surpresa.
— O que foi isso?
— Um contrato. Se quebrá-lo, o cartão será anulado e você será punido. Tome cuidado com suas ações.
— Eu seguiria o conselho dele. A Igreja adora suas punições — comentou Jord.
— Vou ter cuidado.
— Jord, deixo o resto com você.
— Pode deixar. Certo, me siga.
Juntos, entramos no elevador e descemos.
***
— Tem uma loja mais adiante.
À frente, vi uma luz fraca, provavelmente da loja que Jord mencionara. Segui atrás dele, o brilho pálido do elevador atrás de nós me assegurando de que ainda tínhamos uma saída.
Logo chegamos à origem daquela luz.
— Bem? Surpreso? — Jord abriu um sorriso confiante enquanto olhava ao redor.
Eu realmente fiquei surpreso. Espadas e armaduras dignas de um jogo de RPG decoravam o local, enquanto prateleiras abarrotadas de grimórios se espalhavam pelo ambiente.
— Qualquer pedra mágica que você encontrar no labirinto pode ser trocada por pontos para comprar várias coisas.
— Tem muita coisa aqui.
— Né? Tem grimórios que você não encontra em nenhum outro lugar, então há bastante pelo que trabalhar. Não tem ninguém por aqui a essa hora, então vamos nessa.
— Estou um pouco nervoso.
— Labirintos fazem isso com você. Depois daqui, estamos oficialmente dentro do labirinto.
Assim que Jord abriu a porta, uma onda de opressão tomou conta de mim, como se algo estivesse me observando fixamente. Mas Jord seguiu em frente como se nada estivesse acontecendo.
Pouco depois, o corredor se abriu, revelando uma visão mais ampla do lugar. A iluminação fraca lembrava o céu ao amanhecer, e o ambiente não parecia tão diferente dos corredores da igreja. A grande diferença era o cheiro. Um fedor leve, mas persistente, de carne podre pairava no ar. Eu podia aguentar—não era nada comparado ao Substância X—mas com certeza preferia não ter que sentir isso. Infelizmente, eu provavelmente acabaria me acostumando.
Só por precaução, lancei Revestimento de Aura antes de continuar. Não que eu duvidasse da eficácia do robe sagrado, mas era melhor prevenir do que remediar.
Finalmente, chegamos a uma escadaria que descia.
— Agora começam os monstros. Só observe por enquanto.
Jord seguiu em frente casualmente até encontrar um zumbi errante. Ele ergueu a mão e entoou:
— Ó santa mão da cura. Ó sopro vivificante da terra. Ouça minha prece. Expulse as impurezas diante de mim e guie-as para a salvação. Purificação!
Uma névoa pálida e brilhante envolveu o zumbi, consumindo-o em um clarão de luz. Quando o brilho desapareceu, o monstro tinha sumido, restando apenas uma pedra vermelha.
— E esse será o seu trabalho a partir de agora. Os mortos-vivos são atraídos por seres vivos, então tudo o que você precisa fazer é eliminá-los com Purificação. Ah, e essas são as pedras mágicas que mencionei.
Ele pegou uma e me mostrou.
— Espera, e se eu não soubesse lançar esse feitiço?
— Ouvi dizer que você já sabia lançar esse feitiço, mas, se não soubesse, eu só teria feito você praticar um pouco. Purificação funciona em grupos de inimigos, não só em um, então é uma estratégia sólida — explicou ele. — Bom, boa sorte!
E com isso, ele se foi.
— Eu sei que esse lugar é nojento, mas ele precisava sair correndo desse jeito? Seja como for, vou levar isso na calma.
Tirei o robe para equipar uma espada e uma armadura da minha mochila, depois vesti a roupa de novo e comecei a explorar.
Eu esperava encontrar hordas de monstros, mas como era apenas o primeiro andar, não havia sinal de nenhum. O único incômodo real desse trabalho aparentemente fácil era o fedor podre. E, enquanto isso seria um problema para a maioria, meu nariz já estava treinado pela Substância X e não se abalava mais.
— Algo me diz que eu devia ir fazendo um mapa enquanto ando por aqui. Opa, um zumbi. Ah, droga, tem vários. Bom... tanto faz. Deuses, Buda, ancestrais, me deem força!
Fiquei de frente para os mortos-vivos com uma mente calma e entoei:
— Ó santa mão da cura. Ó sopro vivificante da terra. Ouça minha prece. Expulse as impurezas diante de mim e guie-as para a salvação. Purificação!
Não, nada de mente calma, nada calma! Caramba, zumbis são assustadores na vida real!
Acabei lançando três feitiços de Purificação seguidos, mesmo depois de os inimigos já terem sido vaporizados. Isso me lembrou dos tempos em que eu torrava toda a minha munição atirando nos zumbis repetidas vezes nos jogos de arcade da minha vida passada. A diferença é que, agora, isso não era um jogo.
Quando voltei a mim, os monstros haviam sido substituídos por quatro pedras.
— Ué? Eu achei que tinham sido só três zumbis. Será que eu estava tão surtado assim? Bom, tanto faz. Pelo menos, venci.
Peguei as pedras e chequei minha tela de status.
— Hein? Ainda estou no nível um? Como assim?
Olhei de novo. E de novo.
Quando você derrotava monstros, subia de nível. Era assim que as coisas deveriam funcionar. No nível um, derrotar um único goblin já deveria ser suficiente para me levar ao nível dois. Isso só podia significar duas coisas: ou esse era um campo de treinamento ilusório criado por Lorde Reinstar, pelo Papa, por um santo, sei lá por quem... Ou matar zumbis rendia pouquíssima experiência.
A terceira opção era que os curandeiros do QG estavam apenas pregando uma peça no novato, mas com um salário tão alto? Pouco provável.
— Vou apenas tirar o melhor disso e usar esse lugar para praticar. Se eu subir de nível, ótimo; se não, pelo menos eu ganho experiência.
Infundi a espada que Brod me deu com magia e comecei meu próprio treinamento de fatiar zumbis. Essas criaturas eram tão lentas que até eu conseguia cortá-las sem dificuldades. Além disso, Purificação tinha seus limites (basicamente, minha quantidade de MP), mas, se essa espada encantada funcionasse, eu poderia levar um bom estoque de pedras para casa.
Especialmente porque, ao testar, percebi que minha magia só era consumida no momento exato em que a lâmina fazia contato com o inimigo, e apenas um ou dois pontos de MP, que eu podia recuperar facilmente enquanto avançava. Eu tinha a sensação de que essa tática renderia bons frutos.
Comparados ao Brod, esses cadáveres ambulantes se moviam como se estivessem presos na lama. Eu nunca conseguia reagir a tempo contra meu instrutor, mas já tinha melhorado o suficiente para acompanhar seus movimentos, e esses zumbis não eram nada depois de treinar com ele.
Graças a isso, pude testar como a magia de cura afetava os mortos-vivos. Segurei a cabeça de um deles, lancei Cura e, para minha surpresa, a criatura simplesmente se desintegrou. Infelizmente, minha mão ficou com um fedor insuportável. Precisei lançar Purificação em mim mesmo para remover o cheiro.
Continuei vagando pelo andar, ignorando a escada que levava para baixo, eliminando zumbis pelo caminho. Eu me sentia praticamente invencível.
Enquanto explorava, fui mapeando o lugar mentalmente e me amaldiçoei por não ter trazido papel e caneta. O andar tinha aproximadamente trezentos metros de cada lado, e os corredores tinham cerca de cinco metros de largura, então lutar ali não era apertado demais.
Era o lugar perfeito para treinar magia sagrada e ganhar experiência de combate ao mesmo tempo, mesmo que tudo fosse uma ilusão. Ainda não tinha certeza se esse labirinto era real ou não, mas eu estava confiante. Agora que sabia que conseguia lidar com a situação, meus movimentos estavam mais fluídos e relaxados.
— Esse trabalho vai ser moleza se for só isso que eu preciso enfrentar.
Continuei vagando até decidir que era hora de descer para o segundo andar.
— Ainda está claro por aqui...
Se tivesse um baú de tesouro, eu começaria a pensar que isso era só o jeito desse mundo de me dar boas-vindas. O fedor, por outro lado, não era nada acolhedor. Agora eu começava a entender por que esse trabalho pagava tão bem.
Finalmente, cheguei ao segundo andar.
— Ooooh, agora tem chefes zumbis e lacaios também. E isso é uma bola de fogo? Como era o nome disso mesmo, fogo-fátuo? Ou era wisp? Ah, tanto faz, vou chamar de bola de fogo.
Resolvi testar como Purificação e minha espada encantada funcionavam contra os novos inimigos e dei um golpe de teste. O monstro diante de mim desapareceu na hora.
— Já morreu?!
O segundo andar parecia tão fácil quanto o primeiro.
Com a confiança renovada, continuei até encontrar a escada para o terceiro nível, onde parei para descansar.
Comi meu almoço rapidamente e tomei minha dose habitual de Substância X, sempre mantendo a guarda alta, mas nenhum monstro sequer se aproximou de mim.
— Pensei que o Jord tinha dito que os mortos-vivos eram atraídos por seres vivos? Aposto que ele só estava repetindo o que o antecessor dele disse.
De barriga cheia, comecei minha exploração do terceiro andar. A Substância X já tinha feito meu olfato morrer de vez, então progredi ainda mais rápido... até dar de cara com um bando de esqueletos e entrar em pânico.
Vários disparos rápidos de Purificação me deixaram à beira do esgotamento mágico, o que foi bem vergonhoso.
Eventualmente, me recompus e, depois de um bom treino extra, decidi que meu primeiro dia havia sido um sucesso. Finalmente, saí do labirinto (hipotético) dos mortos-vivos.
Mas não sem antes lançar Purificação em mim mesmo.
Tradução: Carpeado
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