Rakuin no Monshou Volume 01 — O Dragão Ruge para a Estrela do Crepúsculo — Capítulo 3.1
[Uma Nova Máscara — Parte 1]



 Nos últimos dias, Tarkas parecia mais ocupado que o normal, correndo de um lado para o outro, e quanto mais ocupado ele ficava, mais animado parecia se tornar. Tão leve eram seus pés que pareciam ter ganhado asas, exibindo o que parecia o ápice do orgulho.

Quer fosse construindo um estádio exclusivo para o uso do Grupo de Gladiadores Tarkas, ou planejando comprar uma dúzia de uma nova espécie de dragão, Tarkas tinha planos grandiosos para seus espadachins-escravos. Mas, como sempre, Orba não pensava da mesma forma.

— Se conseguir chamar a atenção da família imperial, talvez eu pense em recompensá-lo, Orba. O oponente também estará excepcionalmente preparado, então faça uma boa luta. Olhe, se você não conseguir se animar, terá que fazer como sempre faz.

Embora Tarkas batesse em seu ombro com um sorriso de orelha a orelha, aquilo tinha um gosto estranho, para ser sincero. Gowen, que ouvira tudo, também deu um risinho irônico, mas logo assumiu uma expressão séria.

— Não tenho dúvidas de que o Grupo de Gladiadores Tarkas é uma grande empresa neste ramo. Mesmo assim, nunca ouvi falar que Tarkas tivesse conexões com a família imperial ou outros do alto escalãos. Ele só trabalhou com nobres como Fedom, o Senhor de Birac e diretor do Grêmio dos Gladiadores. Embora Tarkas aparentemente só o tenha conhecido pessoalmente durante reuniões. No entanto, até agora, ele nunca recebeu um único trabalho direto de Fedom. Mas acho que este é um trabalho enorme. Sempre disse a ele que seria melhor pedir cooperação de outros lugares, mas Tarkas recusou todas.

— Você é propenso a se preocupar, velho — disse Shique, encolhendo os ombros. — Não está tudo indo bem? Mesmo que ganhemos a desaprovação deles, não seremos nós que perderemos a cabeça. Significa apenas que teremos que encontrar outro lugar para lutar como gladiadores.

Orba compartilhava do mesmo sentimento. Pouco importava onde ele estivesse, a única maneira de um gladiador garantir sua vida era ganhar ouro e se isso significasse que seu caminho para a liberdade estivesse um passo mais próximo, ele continuaria a lutar onde quer que fosse. Era simples assim.

Vários dias se passaram após isso, e os preparativos para a partida até o Vale de Seirin finalmente começaram. Eles carregaram suas armas e armaduras nas carroças, e realizaram a árdua tarefa de tirar os dragões de suas gaiolas.

Dentro do amplo abrigo dos dragões, Orba observava em silêncio enquanto Hou Ran guiava os dragões. Embora já tivesse visto vários treinadores de animais por ali, ele não conhecia outro ser humano que pudesse lidar com dragões daquela forma.

Houve um treinador especialista que conseguia “fazer três Sozos dançarem ao som da música” usando uma flauta, que os alimentava todos os dias em um horário fixo, escovava gentilmente seus focinhos e mantinha essa rotina diariamente. Ele foi morto facilmente, devorado pelos Sozos em um momento de capricho.

Essa era, essencialmente, a natureza de um dragão.

Um humano que mostrasse afeto e os treinasse poderia obter resultados até certo ponto, mas nunca havia algo como certeza absoluta. Mesmo dragões que deveriam estar domesticados há muito tempo guardavam ressentimento profundo. Na realidade, não se podia ter tanta certeza de sua inteligência, já que eram enganados por humanos que armavam armadilhas elaboradas, como buracos e paredes desmoronadas.

Mas, até onde ele sabia, entre esses dragões, Orba nunca vira um momento em que as ordens de Ran não parecessem eficazes. E ela não usava chicotes ou os atraía com iscas. Ran apenas assovia baixinho, e eles se alinhavam como soldados bem treinados, carregando seus corpos enormes na direção da mão que ela estendia.

No entanto, parecia haver diferenças individuais entre eles.

— Orba. Me ajude em vez de ficar só olhando.

Com palavras levemente irritadas, Ran cruzou os braços perto de um dragão Baian de tamanho médio. Ele havia se encolhido no canto da gaiola e não parecia disposto a se mover. Embora Orba não achasse que fosse seu lugar culpá-lo por ignorar as ordens de Ran, ao se aproximar do canto, parecia que o dragão não sairia dali de jeito nenhum.

— O que devo fazer? Amarrar uma corrente no pescoço dele?

Uma arma tranquilizante mal fazia efeito em um Baian. No entanto, era preciso muita mão de obra para puxá-lo com correntes. O Baian de tamanho médio era bem mais baixo que um Sozos, mas seus ombros ainda estavam na altura da cabeça de um homem adulto. Tinha cerca de três metros de comprimento, e a pele rugosa de seu corpo era como uma armadura ao toque. Pequenas escamas angulares em forma de pente se alinhavam, dando-lhe a aparência de um lagarto atroz.

— Você deveria subir, Orba.

— O que quer dizer?

Orba ficou surpreso. Não que não houvesse jogos de gladiadores em que montavam em Baians, mas era extremamente difícil colocar alguém não familiarizado em suas costas. Resumindo, você nunca sabia quando o dragão iria sacudi-lo e esmagá-lo, e, enquanto isso, você tinha que tentar matar seu oponente. A intenção era entreter o público com a emoção da situação, mas, sem magia ou o efeito de drogas, era impossível lidar com os Baians, que pareciam tanques pesados.

— Dragões são diferentes de bestas. Mesmo que sejam degenerados, dragões têm a inteligência de um dragão. Humanos simplesmente não conseguem entendê-la. Mas você estará bem, Orba. Eles certamente abriram seus corações.

Quando os lábios da garota se separaram, ela falou como se estivesse cantando. No entanto, pelo conteúdo, que praticamente ordenava a Orba que “morresse”, era incompreensível até para um gladiador. Mas, como mencionado anteriormente, a verdade era que ele nunca vira alguém mais habilidoso em lidar com dragões do que ela. Além disso, ao ver seu sorriso característico e desprotegido, por alguma razão misteriosa, ele estava disposto a acreditar em qualquer coisa absurda que ela dissesse.

Orba se aproximou lentamente do Baian. O dragão começou a chutar as patas traseiras no chão, soltando um único rosnado e puxando a língua, que era bifurcada, para dentro e para fora inquietamente, enquanto olhava para Orba com olhos semelhantes a contas de vidro.

Orba instantaneamente reuniu sua coragem. Ao se mover para o lado, transmitiu-a para as pernas e pulou em direção às costas do dragão e, em um instante, ele aterrissou na parte traseira do dragão. Para evitar ser jogado fora, Orba envolveu os braços ao redor do pescoço grosso. Embora inesperadamente, parecia quase como se o sangue quente do dragão fosse transmitido ao tocá-lo, e Orba naturalmente não sabia se havia alguma mudança na mentalidade do dragão. No entanto, o Baian lentamente se levantou e começou a caminhar em direção ao lugar guiado pela jovem.

— Este filhote nasceu há apenas meio ano — disse Hou Ran enquanto guiava a besta. — Mesmo após meio ano, seu corpo já não é menor que o de um adulto. No entanto, eles ainda são crianças no coração. Mesmo assim, entre os treinadores de animais, há aqueles que não conseguem ver a distinção.

Os quatro Baians foram colocados em uma nova gaiola com um sistema de polia. Essa gaiola poderia ser puxada por dois Sozos ou um único Houban, mas como os Sozos eram considerados imprevisíveis — embora Hou Ran dissesse que os dragões Baians eram na verdade os mais caprichosos, já que era impossível suprimir um completamente — eles passariam a jornada em uma gaiola.

Então, enquanto todos estavam apressados nos preparativos, a uma hora da partida, dragões de pequeno porte de repente invadiram o campo de parada.

Eram três Tengos em fila. Eles eram ainda menores que os Baians e, por causa de sua capacidade de manobrar em curvas fechadas eram frequentemente usados no campo de batalha em vez de cavalos. Suas cabeças grandes se assemelhavam às de pássaros, com pescoços longos quase curvados ao chão, e se moviam saltitando sobre duas pernas finas.

Quando os dragões pararam bruscamente, o líder dos cavaleiros, quase lançado ao chão pela força, caiu.

— Droga, é por isso que dragões...

O homem, cuspindo a areia que parecia ter entrado em sua boca, tinha seu corpo rechonchudo coberto por uma túnica roxa. A julgar por sua aparência, ele parecia um mercador rico que ganhava dinheiro fácil. As duas figuras atrás dele, também montadas em seus respectivos dragões, desceram rapidamente e estenderam a mão ao homem que parecia ser seu patrão, enquanto Hou Ran corria em sua direção.

O Tengo da frente havia dobrado as pernas e se agachado. Provavelmente havia sido sobrecarregado, pois vomitava uma espuma branca pela boca. Ran estava prestes a acariciar a nuca do dragão quando,

— Não se aproxime de Sua Excelência, escrava!

Houve o golpe único de um chicote. Embora Ran tentasse imediatamente pular para trás, ela caiu e arranhou o tornozelo. Ran não fugiu, no entanto, mas encarou o soldado armado bem à sua frente. Ele ainda era um soldado jovem, e quando notou o cabelo e a pele de Ran, sua expressão ficou ainda mais furiosa.

— A tribo que adora o Deus Dragão, hein? Malditos selvagens impertinentes...

A tendência de menosprezar os nômades, que não possuíam território fixo, como um povo incivilizado era forte em todas as terras. Nesse sentido, assim como no caso de Orba, Tarkas era completamente pragmático.

O soldado brandiu o chicote mais uma vez.

Mas logo depois, ele soltou um gemido baixo e ficou rígido. A mão de Orba veio de lado, agarrou seu pulso e o torceu para cima. Enquanto ele se contorcia de dor, curvando a coluna, foi chutado para frente.

— Não sei onde está sua “Excelência”, mas temos nossos próprios métodos aqui. Se você odeia se misturar com escravos, não deveria pisar em um antro de escravos. Por favor, retire-se.

Ele arrancou o chicote do soldado e o jogou no chão.

— V-Você! Saiba seu lugar, caramba!

O soldado estava prestes a se levantar e sacar a espada da cintura quando,

— Espere! Espere, Orba!

Tarkas corria em sua direção. Ele usou toda sua força para impulsionar seu corpo robusto, que era proporcional ao do homem de túnica.

— S-Seu idiota! Basicamente, você não deveria falar fora de hora. Volte imediatamente para os preparativos!! ...Ohh, Fedom-sama, se houve alguma falta de cortesia, peço humildemente seu perdão. Especialmente considerando que sua excelência veio pessoalmente a um lugar tão sórdido como este...

— Ah, pode relaxar. Não precisa se curvar, Tarkas — disse o homem de túnica, esfregando as mãos e apertando a mão do mercador de escravos. — Tenho negócios com este homem aqui. Orba? Sim, era Orba. Você.

Ele apontou o dedo para a máscara que Orba, que estava prestes a partir apoiando o ombro de Ran, usava.

Naturalmente, Tarkas ficou surpreso, mas Orba também. Em primeiro lugar, era bastante raro que alguém de fora se referisse a um espadachim-escravo pelo nome.

Orba parou. Quando tentou se lembrar onde ouvira o nome Fedom antes, o rosto se distorceu de forma bizarra, já que não se parecia com o de nenhuma pessoa que Orba já vira até então. Só muito depois ele percebeu que era um sorriso, sufocando o desdém usual por escravos, como se tentasse adivinhar seu humor geral.

Naquele momento, ele esqueceu completamente aquela expressão estranha, pois o homem começou a dirigir palavras inesperadas a Orba.

— Você se lembra de mim? Não, talvez não se lembre. Na época, você mal estava consciente. Sou um membro do conselho da Dinastia Imperial de Mephius, o Senhor de Birac. Também atuo como chefe do Grêmio dos Gladiadores, e fui eu quem colocou essa máscara em você.

Era a primeira vez que ele entrava no escritório de Tarkas sem o próprio dono presente. Mas, é claro, ele não se importava com algo assim. Acima de tudo, os olhos famintos de Orba estavam fixos no homem diante dele — aquele que se chamava Fedom, um aristocrata proeminente de Mephius.

— O que há com esses olhos? Parece que você imediatamente sacaria uma espada e cortaria minha cabeça, se tivesse uma.

Eu poderia até estrangulá-lo até a morte com as mãos nuas, pensou Orba, mas é claro que não disse essas palavras em voz alta. Ao lado de Fedom estava um menino que poderia ser um pajem, um jovem pálido semelhante a um criado, e um soldado que era o único armado. Seria realmente descuidado.

— Mesmo que você guarde rancor de mim, é como se estivesse culpando a pessoa errada. Não é por minha causa que você foi aprisionado, mas por causa de seus próprios crimes.

— Então...

Foi a primeira vez que Orba abriu a boca desde que o homem chamara seu nome.

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 — Por que você me fez usar essa máscara? Isso é o que vocês nobres chamam de diversão? Não importa o quanto eu sofra, porque sou apenas um escravo!?

— Cuidado com suas palavras, moleque! — o soldado gritou com raiva.

Mas Fedom disse:

— Eu não me importo. Não tenho a liberdade de brincar com escravos que não têm certeza do seu amanhã — ele continuou. — No entanto... só porque seus dias eram incertos, sim, como é admirável que você tenha sobrevivido até hoje. Naquela época, você não passava de uma criança. Ter sobrevivido como gladiador por dois anos... pode ser chamado de sorte? Não. Em vez de algo como sorte, isso é, como dizem, capricho do destino? Supostamente, isso decide a vida de todos os humanos desde o instante da criação do universo, certo?

Ele virou a cabeça para o jovem atrás dele. O jovem deu um sorriso fino e acariciou levemente o queixo. Embora, de certa forma, fosse mais desrespeitoso do que a atitude de Orba entre a nobreza de Mephius, Fedom não mostrou sinais de que estava incomodado com isso.

— Além disso, você era praticamente uma criança na época, mas seu físico também se tornou consideravelmente mais adulto nesses dois anos. Você não seria a mesma pessoa se não fosse pela máscara... Hmph, o timing está um pouco fora, no entanto. Dê mais um ano e seu corpo teria se desenvolvido cada vez mais, mas também poderia ter acabado mal.

Claro, Orba não tinha absolutamente nenhuma ideia do que esse homem estava falando. Fedom falava como se tivesse se reunido com um velho amigo que sentia falta, enquanto, para Orba, aquilo tinha sido uma maldição, por assim dizer, já que a máscara sempre separou seu rosto do exterior com ferro durante aqueles dois anos, durante os quais continuou a queimar seu rosto ferozmente por um período.

Ele se debatera, manchado de sangue por tentar arrancar a máscara com as unhas, e quebrou os tornozelos onde a corrente prendia seus pés devido às suas lutas. E, cada vez, Orba amaldiçoava tudo pelo destino que perdera e pelo destino que recebera em troca.

De fato, por dois anos, aquela máscara estivera com Orba, que ainda não aceitara as dificuldades e mortes, e ela se tornara o próprio símbolo de sua determinação em recuperar o que lhe fora tirado pela mesma mão que tirou sua mãe, irmão e Alice.

E então, de repente, um nobre desconhecido apareceu diante dele, dizendo que foi ele quem o fez usá-la. Era como Fedom dissera, se ele tivesse uma espada à mão... Não, poderia ser uma espada ou uma adaga, ou apenas um vaso muito pesado, qualquer coisa por perto que pudesse ser usada para matar. No instante em que Fedom mostrasse uma abertura, ele saltaria e a esmagaria no rosto do homem. Claro, mesmo agora, ainda não era tarde demais para isso.

Mas, independentemente de Fedom saber ou não sobre o potencial suicídio duplo de Orba, o homem continuou a protelar.

— Muito bem, Orba. Vou tirar essa máscara, bem aqui neste lugar.

— O quê?

— E isso não é tudo. A partir de agora, você também será liberado de seu status de escravo. Não há mais necessidade de você pegar uma espada e matar. No entanto, isso não significa que você será um homem livre. É simples, estas são as condições. Daqui a pouco, Tarkas o deixará sob minha custódia, mas não é mais do que isso.

— Espere-!

— E durante esse tempo, você não vai contrariar minhas palavras e fazer o que digo. Não há necessidade de ter medo. É muito mais fácil do que estar entre escravos e matar uns aos outros. Você apenas me obedecerá como um fantoche. No entanto—

— Espere!

Orba deixou escapar um grito sem querer. Ele balançou a cabeça irritado diante do Fedom sem palavras à sua frente.

— Se você é quem me fez usar essa máscara, por que agora de repente vem removê-la? E por que você me libertaria da escravidão se eu ainda tiver que seguir suas ordens? Que tipo de piada é essa!? Qual é a razão de você querer remover minha máscara aqui e agora? Por que você me fez usá-la em primeiro lugar? Vocês, bastardos, manipularam tão facilmente o destino de uma pessoa para suas próprias satisfações caprichosas! Quanto mais entretenimento vocês buscam!?

Embora não estivesse interessado nas palavras em si, provavelmente porque não conseguia entender quanto sofrimento havia sido incluído naquele período de dois anos, Fedom se encolheu, surpreso. Ele trocou de lugar com o soldado, que avançou para proteger seu mestre. Orba encarou a figura de Fedom sobre o ombro do soldado, enquanto um brilho afiado surgia em seus olhos por trás da máscara.

— O que você pretende fazer ao tirar a máscara, me libertar da escravidão e me comprar? Está criando algum tipo de assassino infantil!?

— E-Espere. Espere, eu digo.

Desta vez, era Fedom quem assumia o controle. Escondido atrás das costas do soldado, ele enxugou o suor da testa.

— Eu entendo. No entanto, não temos tempo suficiente e este não é o lugar. Seria melhor se eu dissesse que você será morto se não seguir minhas ordens?

— Então é melhor você começar a falar logo! O que pretende fazer comigo!?

O pomo de Adão do soldado subiu e desceu. Mesmo que fosse apenas uma pessoa desarmada à sua frente, parecia que ele estava enfrentando um animal carnívoro com aqueles olhos dourados e brilhantes encarando-o.

Nobre e escravo. Basicamente, os dois nem deveriam se olhar nos olhos, mas a aura de intimidação que invertia essas posições entre eles estava gradualmente ocupando a sala. Então,

— Tudo bem, espere um pouco.

O jovem estudante interveio na conversa. Ele deu um passo à frente, posicionando-se entre Orba e Fedom.

— Esta não é uma história extremamente complicada. Mas para explicá-la desde o início, certamente leva um tempo precioso. O que devo fazer para tentar convencê-lo primeiro? Posso começar tirando a máscara?

— Uma vez removida, ela não pode ser usada novamente — disse Fedom, infeliz. — Se esse cara disser que não vai obedecer depois, qualquer vantagem, exceto matá-lo, desaparece.

— Há inúmeras maneiras de fazer isso. Gostaria que você tivesse fé em mim.

Enquanto ouvia a estranha troca entre os dois, Orba percebeu que o homem, que parecia um jovem, na verdade tinha uma idade considerável. Ele tinha uma voz um tanto rouca, e seus cabelos eram misturados com fios brancos.

— Entendo, Hermann. Vá em frente.

Recebendo a permissão de Fedom, o homem chamado Hermann se dirigiu ao lado de Orba. Orba recuou por reflexo e se surpreendeu quando sentiu os dedos do homem se fixarem firmemente em sua máscara.

Orba era capaz de determinar a distância de sua própria espada e lança, e também medir instantaneamente o alcance de ataque de seu oponente. Esse era o talento que Orba também tinha dois anos atrás, e o que o fez sobreviver por tanto tempo.

E, no entanto, Hermann conseguiu se aproximar silencia e facilmente de seu peito.

— Não tenha medo — disse Hermann com um sorriso. Tendo aplicado os dedos na máscara, ele se aproximou ainda mais de seu rosto.

— Essa máscara não sai nem com força sobre-humana. Além disso, não existe algo como uma “chave” para removê-la. Mas acho que você sabe disso melhor do que ninguém depois desses dois anos, certo?

Orba duvidou se quem estava usando a máscara não era Hermann. Seria porque parecia que ele havia colocado pele humana em sua face e, na verdade, estava escondendo seu verdadeiro rosto por trás dela? A pele estava estranhamente rígida e, dependendo do ângulo da luz, ele poderia não parecer um jovem afinal.

Mas, acima de tudo, eram aqueles dois olhos fitando-o. Diferente de sua expressão facial, apenas os olhos emitiam uma luz afiada semelhante à de uma espada. O homem não se parecia com nenhum dos muitos oponentes formidáveis que Orba enfrentara, mas ele foi tomado por um medo que superava todos eles.

— Não me toque — disse Orba, tremendo, sem querer admitir para si mesmo que havia perdido suas presas. — Além disso, se você não tem uma chave, como vai remover a máscara?

— A chave foi algo que eu inventei. Eu disse para não ter medo. Agora, depois de dois anos, vou libertá-lo.

Antes que Orba pudesse retrucar, houve sinais de dedos se mexendo e tocando. Parecia vir de dentro do próprio corpo de Orba.

Um som feroz ecoou. Parecia que o mundo inteiro começara a rachar, enquanto a máscara de Orba começava a se mover. Ao perceber que não sentia nenhum apego por terem estado juntos por esses dois anos, enquanto ela lentamente se movia para os lados, de repente caiu. Ela caiu com um som estranhamente doce e estridente no chão. Incapaz de se mover depois disso, Orba acariciou suavemente suas bochechas.

Era uma sensação deslumbrante, sem emitir som, e ele imediatamente cobriu os olhos com a mão. Embora parecesse que Hermann usara algum tipo de ataque mágico, na verdade, ele já sabia a resposta. De alguma forma, isso era mais chocante para ele do que alguém mirando em sua vida a curta distância, o que fez seu corpo tremer.

Orba — amplamente reconhecido como um espadachim de primeira classe que, uma vez que pegava uma espada, não temia nada — irritou-se consigo mesmo por agora estar se assustando como uma criança e lentamente abriu os olhos.

Havia a figura de Fedom parada, imóvel. Não, não era só ele. O soldado presente e o pajem também estavam olhando fixamente, de boca aberta. Eles não moviam um único músculo.

Então, de repente, o jovem soldado se mexeu. Parecia que ele voltara a si, quando de repente se ajoelhou no chão.

— P-Príncipe herdeiro!? — o jovem disse com uma voz trêmula. — Isso... p-peço desculpas pela minha grosseria. Eu não sabia que você era o príncipe. Por favor, imploro seu perdão!

— Impossível — disse Fedom. Seu corpo gordo tremia por completo. — É impossível! Mas... mas, Hermann. Ele não se parecia nem um pouco assim antes. Mesmo levando dois anos em consideração, eu nunca esperaria uma imagem espelhada como esta...

— É por isso que se chama feitiçaria — Hermann riu com uma voz abafada. — Eu não te disse? Com sorte ao seu lado, esse homem certamente se tornará útil ao mestre.

Por um tempo, nenhum som saiu da boca de ninguém.

Orba claramente perdeu a consciência de sua voz e corpo. Ele timidamente tocava suas bochechas de carne e osso. Não havia toque de ferro. Aquela máscara dura e fria estava completamente ausente, substituída por uma pele quente e macia. Meio atordoado, Orba se perguntou se tudo isso não seria apenas um sonho.

— Quer um espelho?

O único calmo, Hermann, indiscriminadamente revirou a mesa de Tarkas, pegou um espelho de mão e o jogou para Orba. Ao pegá-lo em suas mãos, Orba olhou para ele com a respiração presa.

Um homem de rosto pálido e olhos estreitos o encarava. Esses dois anos, sempre que ele olhava em um espelho, apenas aquela máscara de ferro imitando um tigre aparecia diante dele. Inicialmente, ele sentiu que não havia como confundir isso com a realidade, mas logo, Orba teve uma sensação desconfortável que obstruía sua felicidade.

Era definitivamente seu próprio rosto. E, no entanto, algo estava diferente. Embora seus olhos, nariz e boca certamente tivessem permanecido os mesmos, ele tinha a suspeita de que certos ângulos sutis haviam mudado.

Dois anos se passaram. Era possível que ele tivesse esquecido seu próprio rosto?

Não... mas ele não sabia o motivo disso. Afinal, ele tinha a sensação de que seus olhos estavam estranhamente afiados em comparação com antes, seus lábios haviam ficado um pouco mais finos e seu nariz parecia ter ficado ligeiramente maior.

— Bem, então.

Fedom quebrou abruptamente o silêncio que fluía até então.

— Se for assim, suas intenções não serão mais um problema. Parece que você foi decidido há dois anos. Por algum poder dos deuses, demônios, o Deus Dragão antigo, ou talvez até uma existência da qual não sabemos o nome. Sem isso, você nunca poderia ser tão parecido.

No momento em que Orba sentiu vontade de perguntar sobre o que ele estava falando, Fedom imediatamente fez uma declaração.

— Você já não é mais este “Orba”. Claro, você também não é mais um espadachim-escravo. A partir do momento em que a máscara foi removida, você nasceu de novo como uma pessoa diferente. Mais do que isso, você nem é um homem comum que se pode encontrar em qualquer lugar. Entendeu? A partir de hoje, você graciosamente se tornou o conhecido herdeiro do trono da Dinastia Imperial de Mephius, Gil Mephius!


Tradução: Rudeus Greyrat
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