Nageki no Bourei wa Intai shitai |
Let This Grieving Soul Retire
Volume 02 – [Prólogo: Perdido e Ainda Não Encontrado]
A capital, Zebrudia, fervilhava de atividade sem parar. Suas ruas largas e bem pavimentadas cruzavam a cidade, abrigando um fluxo contínuo de incontáveis pedestres e carruagens. Era tão movimentada que viajantes pensavam que festivais eram realizados diariamente em Zebrudia.
Com uma grande população na capital, vinha mais comércio; com mais comércio, uma cidade ainda mais desenvolvida. E assim, apesar de sua curta história, Zebrudia era considerada uma das cidades mais avançadas do mundo.
Nesta vibrante capital, você podia encontrar todo tipo de tesouro: desde armas poderosas e peças de armadura até iguarias raras vindas do mar, livros extremamente escassos com apenas algumas cópias existentes, poções mágicas caríssimas com efeitos milagrosos e—o mais notável de tudo—uma enigmática coleção de Relíquias originadas dos cofres do tesouro próximos.
A região ao redor de Zebrudia era abençoada com um número excepcional de cofres do tesouro em comparação com as nações vizinhas, graças às várias grandes linhas de ley que atravessavam a área. Essa concentração de cofres estabeleceu a reputação de Zebrudia como a terra sagrada dos caçadores de tesouros, o que também contribuiu imensamente para o avanço da cidade.
Os caçadores de tesouros eram tanto mercadores excepcionais quanto guerreiros sobre-humanos, trazendo itens mágicos impossíveis de replicar com a tecnologia moderna e derrotando de frente monstros e espectros assustadores. Enquanto as riquezas que eles traziam dos cofres alimentavam a expansão da cidade, seu poder também afastava potenciais invasores.
No fim das contas, Zebrudia era o verdadeiro símbolo desta era de ouro da caça ao tesouro. E, ainda assim, seu crescimento continuava sem parar.
Nós, os Grieving Souls, tínhamos saído de nossa cidadezinha no fim do mundo para a capital justamente porque sabíamos que ela oferecia tudo o que precisávamos para nos tornarmos caçadores de tesouros. De fato, Zebrudia superou nossas expectativas. Ninguém poderia negar o esforço dos meus amigos, mas o vasto estoque de equipamentos e a conexão com mentores excelentes aceleraram seu crescimento exponencialmente. Assim, os Grievers—com tudo a mil—dispararam rumo ao que a maioria das pessoas considerava a glória dos caçadores de tesouros.
Curiosidade: nos cinco anos desde que nos estabelecemos na capital, os Grievers (menos eu) praticamente limparam todos os cofres da região. Zebrudia ainda era nossa base de operações não apenas pela conveniência e pelas amizades que fizemos nesses anos, mas também pelo nosso desejo de contribuir para o crescimento da cidade. E, no entanto, a capital que nos concedeu tanto agora enfrentava uma ameaça como nunca antes vista.
Eu estava no meu quarto, no último andar da casa do clã, com a cabeça enterrada nas mãos. O Slime Sitri tinha sumido—simplesmente desaparecido. Durante a última hora, revirei o quarto inteiro, mas não encontrei nenhum sinal dele. Vasculhei desde a minha vasta coleção de Relíquias até o espaço debaixo da cama. Nada.
Era uma tarde agradável e quente. Em circunstâncias normais, eu estaria tirando um cochilo na cadeira do mestre do clã ou recrutando algum azarado para ser meu guarda-costas enquanto passeava pela cidade. Em vez disso, desabei na cama, exausto de tanto procurar.
— Droga. Não consigo encontrar em lugar nenhum.
Eu só percebi que a cápsula não continha mais o slime quando estava prestes a lançá-la contra o espectro no Covil do Lobo Branco. Felizmente, conseguimos sair do cofre em segurança graças a nossa pequena genocida ambulante, mas restava uma pergunta importante: onde diabos foi parar o Slime da Sitri?
Para minha defesa, eu nunca tinha aberto aquela cápsula. Ela ficou trancada no meu cofre desde que foi entregue para mim. Do meu ponto de vista, aquele troço estava a um deslize de dedo de causar uma catástrofe—eu sempre lidei com perigo evitando ele em primeiro lugar.
Normalmente, slimes eram conhecidos por serem os monstros mais fracos—eram vulneráveis a tudo: calor, frio, ataques físicos e até impactos leves. Eram tão fracos que toda criança do interior já tinha pisoteado um slime selvagem por diversão em algum momento. Além disso, slimes eram famosos pela capacidade de serem gerados através de certas habilidades. Com sua alta adaptabilidade e capacidade de alterar sua natureza conforme o ambiente, tornavam-se cobaias perfeitas para experimentos. Claro, havia um limite para essa adaptabilidade, e deixar um slime escapar não deveria ser um grande problema—se fosse um slime normal.
O Slime Sitri era uma criação da Alquimista dos Grievers, Sitri Smart. Ela me passou um “produto experimental levemente perigoso” que, segundo ela, poderia reduzir a capital inteira a ruínas. Nem preciso dizer que a noção dela de "levemente" não era confiável.
Sitri era brilhante—o suficiente para compensar sua (relativa) falta de força física. Na verdade, de todos os malucos dos Grievers, ela foi quem mais evoluiu. Assim como eu, ela enfrentou sua própria fraqueza no início da nossa jornada, mas já era bem mais forte do que eu naquela época. Como os outros Grievers tinham mostrado talentos excepcionais desde o começo, fui o único que realmente entendeu a situação dela. Pensando bem, ela só tinha sido uma late bloomer (Desabrochar tardio); agora, estava tão forte quanto qualquer um dos nossos companheiros. À medida que acumulou conhecimento, experiência e status, as habilidades de Sitri cresceram drasticamente. Ainda assim, entre nós dois permaneceu um senso especial de camaradagem.
Apesar de sua genialidade, Sitri era carente no departamento do bom senso. Por causa da nossa amizade, ela ocasionalmente me presenteava com frutos do seu trabalho como gesto de bondade pura—e eu não podia simplesmente recusar, até porque, se eu não aceitasse, ela largaria em algum canto da cidade e inevitavelmente causaria um pandemônio. Além disso, ela frequentemente esquecia de mencionar informações essenciais sobre suas criações, fazendo com que eu as usasse de maneira errada sem querer. O Slime Sitri foi o mais recente exemplo disso.
— Não, não, não, não, não. Isso não pode ser culpa minha. Eu nem abri aquele cofre desde que guardei a cápsula.
— Ok, vamos pensar racionalmente: eu tinha lidado com aquele slime com o máximo de cuidado, a criatura estava dentro de uma cápsula metálica, e nem mesmo eu, um completo idiota (que já havia deixado cair uma espada Relíquia no meio de um voo sem perceber), poderia ser tão azarado a ponto de deixar cair apenas o conteúdo de uma cápsula selada—isso seria impossível, mesmo que eu tentasse!
A cápsula havia sido destruída, então não podia confirmar nada. Mas, pelo que me lembrava, ela não tinha nenhum arranhão, muito menos buracos. O conteúdo da cápsula ser roubado enquanto ainda estava dentro do cofre também era improvável, já que o cofre estava no meu quarto seguro. Além disso, o próprio cofre era uma Relíquia: eu não podia garantir que ninguém poderia abri-lo, mas certamente saberia se alguém o tivesse feito. Considerando tudo isso, só havia uma única conclusão possível: a cápsula estava vazia desde o começo! Era tão óbvio!
— Ah, Sitri, que brincalhona. Ha ha ha ha...
Convencendo-me a aceitar essa conclusão, caí de costas na cama. Sitri não era uma idiota como eu, mas também não era do tipo que fazia pegadinhas assim. No entanto, essa era a única explicação que conseguia imaginar. Pelo menos era isso que eu dizia para mim mesmo.
Tanto faz. Eu não queria mais pensar nisso; só de tentar já sentia meu estômago embrulhar. Era mais um dia pacífico na capital, e isso era tudo que importava. Eu devia simplesmente esquecer os slimes. Além do mais, fosse criação da Sitri ou não, aquilo era um slime—o monstro mais patético que existia. Quanto estrago um único slime poderia causar na capital robusta, afinal? Obviamente, “reduzir a capital inteira a ruínas” era um exagero. Se algo acontecesse, a cidade estava cheia de caçadores habilidosos que poderiam lidar com o problema.
Apertando o estômago, que estava revirando, continuei forçando-me a acreditar que tudo ficaria bem.
Os cavaleiros-lobo carmesim pareciam formidáveis à primeira vista. Suas armaduras completas repeliam a maioria dos ataques, e suas armas variadas faziam com que os caçadores precisassem de diferentes estratégias para derrotar cada fantasma. Além disso, seus golpes pesados eram fortes o suficiente para manter até caçadores experientes de nível intermediário em alerta. No entanto, esses cavaleiros-lobo só representavam uma ameaça real para grupos de exploração que desconheciam sua existência: armaduras resistentes podiam ser perfuradas por armas poderosas, e as armas variadas podiam ser contra-atacadas com preparação, desde que os caçadores soubessem de antemão qual arma cada fantasma empunhava. E mesmo que caçadores intermediários não dessem conta desses fantasmas, sempre haveria caçadores de nível superior para cuidar do problema.
Reunidos na Toca do Lobo Branco de Nível 3, no meio de uma densa floresta, estavam uma dúzia de caçadores, cada um com vestimentas e equipamentos distintos. Um deles estava coberto da cabeça aos pés com uma armadura digna de um cavaleiro, enquanto outro parecia ter saído apenas para um passeio noturno. Mas havia algo que todos eles tinham em comum: eram caçadores de elite, de Nível 5 ou superior. Esse grupo era conhecido entre a multidão de caçadores e aspirantes que chamavam Zebrudia de lar.
Era de conhecimento geral que o nível médio dos caçadores de tesouros era Nível 3; alcançar níveis mais altos exigia talento excepcional, sorte, ou ambos—caçadores de alto nível eram sobre-humanos de alguma forma. Para começar, tendo absorvido material de mana de inúmeros cofres do tesouro, esses caçadores eram fisicamente muito mais fortes do que os de nível intermediário. Para aqueles que exploravam cofres do tesouro de níveis bem mais altos que o Nível 3 regularmente, os cavaleiros-lobo não eram uma preocupação.
— Isso aqui não era um cofre de Nível 3? — perguntou um jovem, olhando para sua espada. Ele acabara de matar um cavaleiro-lobo que guardava a entrada da toca com um único golpe, atravessando sua armadura.
— Sim, mas aparentemente os fantasmas daqui ficaram muito mais fortes nas últimas semanas. Ouvi dizer que pegaram o Rudolph, a Lança—um chefe complicado. — comentou um companheiro atrás do jovem, enquanto enfrentava outro cavaleiro-lobo.
— Sério? — disse ele. — Espera, mas eu vi o Rudolph na Associação hoje.
— Felizmente, a equipe de resgate chegou a tempo.
— Hmm. Isso deve ter sido uma estreia.
Mesmo enquanto conversavam, os caçadores não paravam de lutar. Um disparo mágico atravessou o crânio de um dos cavaleiros-lobo, e o fantasma colossal caiu no chão.
Esses caçadores estavam reunidos para avaliar a situação da Toca do Lobo Branco. Embora fosse raro a dificuldade de um cofre do tesouro aumentar repentinamente assim, não era algo inédito. Quando algo inesperado acontecia, a Associação emitia uma missão de reconhecimento para que caçadores experientes reavaliassem o nível do cofre. Como o governo também tinha interesse em manter o controle sobre todos os cofres do tesouro, essas missões geralmente eram patrocinadas pelo Império Zebrudian com recompensas generosas, tornando-as uma forma fácil de ganhar dinheiro para caçadores de elite.
— Ainda bem que ele sobreviveu. — disse uma voz casual, com um leve tom de curiosidade.
A missão de reconhecimento havia sido emitida pela Associação no dia anterior, o que significava que a equipe de resgate não poderia ter previsto as anomalias no cofre. Eles deveriam ter tomado precauções, sabendo que um caçador de Nível 5 havia desaparecido. Mesmo assim, aquela missão poderia ter dado muito errado.
— Sim. O Mil Truques foi quem assumiu essa. — acrescentou outro caçador, de forma indiferente.
— O quê? Um Nível 8? O que ele estava fazendo lá?
— Quem sabe por que ele faz qualquer coisa? Com certeza tem algum esquema por trás disso.
— Verdade.
E assim, deixaram de pensar no assunto.
Entre os inúmeros caçadores da capital, apenas três haviam alcançado o Nível 8. Todos ganharam esse título ao receber distinções especiais da Associação por seus feitos extraordinários em explorações de cofres do tesouro ou outras contribuições à comunidade caçadora.
O Mil Truques, em particular, era um caçador que se aprofundara em todos os aspectos da caça ao tesouro. Ele era o líder dos talentosos Grieving Souls, o mestre de um clã em ascensão e um caçador de alto escalão que já havia explorado inúmeros cofres. Por outro lado, poucos caçadores sequer ouviram rumores sobre suas atividades, e menos ainda o conheciam pessoalmente. Diziam que sua aparência não era nada impressionante para alguém de seu nível. No entanto, ninguém acreditava muito nesses boatos. Afinal, para um caçador subir de nível, ele precisava acumular pontos de reconhecimento concedidos pela Associação e depois passar por um exame. Embora houvesse várias maneiras de obter pontos, os exames eram provas brutais de habilidade.
— Vamos entrar e verificar os cavaleiros-lobo mais fortes e o chefe, se possível. Vamos garantir nosso pagamento.
— Entendido.
Ao comando do líder da equipe, todos os membros do grupo olharam para a sombria entrada do cofre do tesouro; estavam prontos para o combate num piscar de olhos.
O ar gelado fluiu da caverna, carregando um uivo ameaçador para intimidar os novos intrusos.
Tradução: Carpeado
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