Nageki no Bourei wa Intai shitai |
Let This Grieving Soul Retire
Volume 02 – Capítulo 05
[A Prodígio]



— Krai, eu quero me tornar a peça que falta no nosso grupo.

Foi isso que Sitri me disse quando ainda estávamos decidindo que tipo de caçadores de tesouros queríamos ser. Mesmo naquela época, ela era — em contraste com sua irmã — quieta, gentil e brilhante.

— Eu não sou forte, então pensei: ‘Dessa forma, poderemos continuar juntos...’

Enquanto os outros escolheram seus papéis com base no que queriam fazer, Sitri tomou sua decisão com um critério completamente diferente. Liz sempre correu rápido, Luke quase nunca perdeu uma luta, Ansem sempre foi confiável em momentos difíceis e Lucia sempre soube lançar alguns feitiços básicos. Mas Sitri não tinha nada disso — não possuía um talento evidente. E isso moldou sua forma de pensar. Antes mesmo de completarmos dez anos, Sitri já enxergava o quadro geral melhor do que qualquer um de nós. Ela tomou sua decisão pensando no que era melhor para o grupo.

Então, eu dei um tapinha na cabeça dela e sugeri:

— Qual é aquela classe mesmo? Você gosta de ler, Sitri, então... O Alquimista! É essa.

Só um ano depois descobri que Alquimistas precisavam de fundos exorbitantes e conhecimento profundo para aprimorar sua arte, e que nem era uma classe considerada adequada para caça ao tesouro. Mas, naquela altura, Sitri já estava irreversivelmente imersa na profissão. Por sorte, ela tinha um talento nato para aquilo, tanto que as pessoas começaram a chamá-la de "A Prodígio".

E foi assim que fiquei em dívida com ela até hoje. Mesmo que não estivesse, era natural querer ajudar uma companheira que se esforçava até os ossos pelo grupo (embora parecesse que ela gostava muito disso).

No escritório da mestra do clã, a irmã de Sitri estava grudada em mim como uma mosca no mel.

— Por que a Siddy pode ir e eu não?! Por quê? Por quê? Por quê?! — ela protestava, reclamando sem parar no meu ouvido.

Eu só assentia, quase embalado pelo lamento dela.

— É... Aham... Você não vai.

Enquanto isso, Tino nos espiava por trás do sofá, tentando se manter segura.

— Krai, quero que confie em mim e me deixe liderar essa missão! — Sitri me pediu do nada.

Resumidamente, ela me explicou que as mudanças na Toca do Lobo Branco poderiam estar ligadas a um caso que ela investigava há anos. Eu não entendia bem o que ela estava perseguindo, mas aparentemente não era algo relacionado a caça ao tesouro. Apesar de achar uma pena que ela já tivesse que sair para outra missão logo após voltar, eu não ia recusar se ela parecia tão determinada. Nunca quis liderar essa missão de qualquer forma. Com a brilhante Sitri no comando, eu não tinha do que reclamar, e os outros caçadores também não deveriam.

Com um olhar melancólico, ela fez outro pedido:

— E, se possível... por favor, não deixe minha irmã solta por aí.

Seus olhos me encaravam com tristeza.

Ronronando, Liz se jogou no meu colo e envolveu os braços ao redor do meu pescoço.

— Favoritismo não é bonito, Krai... a não ser que seja a meu favor. Eu não sou sua favorita?

Um calor agradável se espalhou pelo meu colo. A sensação dela era tão macia que eu mal podia acreditar que aquelas pernas eram capazes de matar alguém. Em seus olhos rubi-pálido, vi meu próprio rosto com uma expressão ridícula refletida. Se Eva visse isso, com certeza me consideraria um canalha — isso se, por milagre, já não considerasse.

Por que Liz quer se jogar na batalha o tempo todo? Só de pensar em entrar naquele cofre já me dá vontade de vomitar.

Se eu deixasse Liz solta agora, havia uma chance real dela ficar tão empolgada que acabaria matando todo mundo na Toca do Lobo Branco. Para falar a verdade, nem sei se a própria Sitri conseguiria segurá-la.

Agora que penso nisso, "solta" é uma maneira bem depreciativa de descrever isso.

— Krai, não me deixa de fora, tá? Por favor? — Liz continuou insistindo.

— Se alguém tá de fora aqui, sou eu — respondi.

Mas, pensando bem, eu tinha a Tino. Com certeza ela ainda estava do meu lado, né? Só que, quando olhei para ela, ela simplesmente virou o rosto para o outro lado.

O que foi agora?

— Eu vou me comportar. Prometo — Liz implorou. — Siddy pode acabar morrendo sozinha! Ela é uma Alquimista, a mais fraca de nós. Se o Matadinho não estivesse em manutenção, seria outra história... Eu tô preocupada, Krai. Posso ir?

Agora ela estava tentando outro ângulo. Como se realmente estivesse preocupada com a segurança da Sitri.

Matadinho era a "criatura mágica" que Sitri costumava carregar como guarda-costas. Com um físico semelhante a uma pedra cinza, aquele humanóide gigante não usava nada além de um saco com buracos para os olhos na cabeça e uma sunga vermelha berrante na cintura. Para qualquer um, Killiam parecia um humano extremamente perturbado, mas quem era eu para discutir com Sitri quando ela o chamava de criatura mágica? Quanto ao que ele realmente era, eu não fazia a menor ideia... E normalmente evitava pensar muito no assunto.

O nome, aliás, vinha do fato de que a única palavra que ele sabia dizer era "Matar".

Talvez eu levasse isso menos a sério se ainda fosse o tipo de caçador que enfrenta cofres do tesouro com os amigos...

Ainda agarrada a mim, Liz sussurrou mais palavras açucaradas no meu ouvido:

— Eu quero ir, Krai. Você não se importa, né? Diz que sim! Eu vou ser uma boa menina, juro!

— Não é não — eu disse, sem ceder à birra infantil da Liz.

Sitri descobriu o trabalho de Noctus pela primeira vez quando ainda carregava o título de "A Prodígio". O Instituto Primus, a maior autoridade em ciência mágica e fronteira das novas descobertas em Zebrudia, havia se interessado pela pesquisa única de Sitri na época e concedeu a ela uma permissão especial para acessar uma das bibliotecas proibidas. Entre suas coleções, encontrou a tese “A Natureza da Matéria Mágica e o Potencial dos Cofres do Tesouro”, escrita por Noctus Cochlear, o Mestre dos Magos.

Sob seu título simples, a tese escondia uma ideia perigosa que garantiu seu lugar em uma biblioteca inacessível para a maioria: a possibilidade de manipular um cofre do tesouro sem alterar sua paisagem, apenas ajustando certas características da matéria mágica. Poucos testes haviam sido documentados no artigo, mas com esse conhecimento, segundo a teoria proposta, seria possível fazer qualquer coisa — desde destruir cofres do tesouro existentes até reconstruí-los do zero a um custo mínimo — feitos além das limitações humanas.

Se um mago qualquer tivesse apresentado essa teoria, teria sido ridicularizado e expulso do Instituto. A única razão para Noctus ter recebido apenas a punição de exílio do império, apesar de ter cometido um dos dez crimes capitais, era a extravagância de sua tese. Até mesmo o próprio documento nunca foi queimado, apenas trancado a sete chaves.

A experiência de Sitri como caçadora de tesouros ajudou-a a reconhecer o perigo do tema apresentado no artigo. Embora uma tese fosse tão concreta quanto um sonho distante, essa abria a possibilidade de tornar o sonho realidade. Mas Sitri sabia, sem sombra de dúvida, que o autor da tese um dia testaria sua teoria no mundo real. Sua sede de conhecimento, orgulho ou talvez desejo de vingança contra a capital que o expulsou certamente impulsionariam Noctus a levar seu experimento adiante.

Sitri considerava Noctus—banido ou não—um colega dela no Instituto Primus. Assim começou a solitária batalha de Sitri Smart.

A narrativa objetiva de Sitri sobre sua descoberta passada silenciou todo o acampamento—era algo inacreditável.

Um dos agentes do Escritório de Investigação de Cofres que havia chegado com Gark gritou, quase espumando pela boca:
— I-Isso é impossível! Noctus foi banido permanentemente por divulgar essas bobagens, nunca mais teve permissão de pisar na capital! E agora você está falando sobre... a Torre Akáshica?!

O olhar do agente parecia questioná-la ainda mais: Mesmo que esteja dizendo a verdade, por que está investindo tanto tempo e esforço em uma tese que apenas encontrou por acaso? Mas a dúvida e o medo do agente não abalaram Sitri nem um pouco.

— Não espero que acreditem em mim — disse ela. — Por isso estou perseguindo o Mestre dos Magos sozinha. Mas considerem as recentes anomalias neste cofre do tesouro: aquela coisa viscosa de antes deve ter sido um subproduto dos experimentos dele.

A verdade é mais estranha do que a ficção, pensou Sven. Não posso confirmar o que ela disse sem mais informações, mas faz sentido. E se ela estiver certa, é possível que eles destruam todos os cofres do tesouro existentes. E isso precisamos impedir a qualquer custo.

A outra Alquimista do grupo, Talia, de cabelos carmesim, levantou a mão timidamente e perguntou:
— Então o dispositivo deve estar no subsolo... certo?

— Sim — respondeu Sitri. — A teoria dele exige um dispositivo de grande porte para produzir o efeito desejado. Mas considerando que o dispositivo é o ponto central da pesquisa, duvido que possamos encontrá-lo agora. Pelo que vimos ao lutar contra aquele monstro, nossos oponentes já estão preparados para a batalha.

— O quê...? — disse Talia, arregalando seus olhos carmesim.

Sem dar mais atenção a Talia, Sitri olhou ao redor do grupo de caçadores. Todos ainda podiam lutar, exceto Gein.

— Vou interrogar os Magi que Gein capturou — disse ela. — Se aquela coisa era um Cavaleiro Lobo transformado à força por uma poção, posso imaginar que a Torre Akáshica tem um ataque seguinte preparado e está pronta para agir.

O batalhão ficou inquieto com a perspectiva de uma nova onda de gosmas falsas que teriam que enfrentar—uma daquelas criaturas já era ruim o suficiente.

— M-Mas podemos jogar aquela haste contra eles... certo? — perguntou Marietta. Parte da cor havia voltado ao seu rosto depois de um breve descanso.

— Sinto muito. Mas aquela era minha única peça de metal antimana. Nunca poderia imaginar que encontraria algo assim...

— Krai não te contou? — perguntou Lyle.

Sitri apenas inclinou a cabeça e disse:
— Contar o quê?

Parece que o Mil Truques mantém seus próprios companheiros tão no escuro quanto o resto de nós, pensou Sven.

A flecha de Sven já havia obliterado a haste que Sitri jogou na primeira gosma falsa. Talvez pudessem encontrar um fragmento dela na área, mas Sven duvidava que isso fosse suficiente para derrotar outra gosma falsa, muito menos várias. O metal antimana era tão raro que ninguém poderia culpar Sitri por não carregar mais consigo, independentemente de sua intenção original ao trazê-lo.

Vendo que o medo havia tomado seus companheiros caçadores, Sitri disse:
— Mas sinto que podemos vencê-los. A barreira não é perfeita, e não durará para sempre, pois consome muita mana. Vou analisar como funciona e encontrar um jeito de superá-la. Com tantos caçadores juntos, não será tão difícil.

O tom calmo de Sitri parecia reconfortante, especialmente depois de ter derrotado a primeira gosma falsa com tanta facilidade. E ela continuou:
— Embora eu não consiga liderar como Krai, farei o melhor que puder. Como Alquimista, não tenho o necessário para lutar sozinha—preciso da ajuda de todos vocês.

Então, ela passou instruções ao grupo, e todos se dispersaram conforme o planejado.

Observando Sitri partir, Henrik trocou algumas palavras com Sven.
— Ela encara isso de forma muito madura — disse ele, seus olhos brilhando com quase admiração demais por uma caçadora que acabara de conhecer.

— Hã...? É, claro — disse Sven.

— Quem admite que é fraco em combate? Um Clérigo está longe de ser a melhor classe para lutar, mas você nunca me ouviria dizer isso em público.

— Como eu disse, Sitri é uma fraca forte.

— O quê...?

Sven olhou para o novato com um olhar afiado e disse:
— Cuidado, Henrik; não se deixe levar. Sitri é traiçoeira. Ela é forte; tem sido há anos, independentemente de como se vê.

Afinal, alguém tão fraco perseguiria um Magus herege sozinha? Alguém tão indefeso ficaria tão calma diante daquela gosma falsa que nunca havia visto antes? Não importava se tecnicamente fora Sven quem deu o tiro final na criatura. Algo não batia.

— Sitri acha que pode fazer qualquer coisa porque é ‘fraca’; que sempre deve usar todos os meios ao seu dispor. Ela é mais do que aparenta, Henrik. Pelo que sei, Sitri é tão excêntrica quanto o resto dos Grievers.

— Entendi...! — disse Henrik.

Enquanto o restante do batalhão se reidratava e recuperava mana com poções, Gein e alguns outros retornaram com os dois Magi responsáveis pela criação da gosma falsa. Pelo visto, ainda estavam caídos no chão. Os Magi da Torre Akáshica se debatiam inutilmente sobre os ombros dos poderosos caçadores que os traziam. Como dois vermes, foram jogados no chão, cercados pelo batalhão. Embora tivesse lhe custado o braço direito, Gein havia conseguido uma captura valiosa ao deter esses Magi.

Sven olhou para a dupla caída no chão: um homem de meia-idade de pele bronzeada e cabelos escuros, e outro que parecia não ter visto o sol há meses. Sven havia memorizado a maioria dos cartazes de procurados, mas nenhum deles retratava esses Magi.

Com suor escorrendo pelo rosto, um dos Magi disse:
— Não me diga que vocês derrotaram...!

— Vocês trabalham para Noctus Cochlear, não é? — perguntou Sitri do nada.

As expressões deles mudaram, e agora estavam olhando para Sitri de olhos arregalados.

Sitri era tão pequena e frágil que quase parecia uma criança comparada aos Magi capturados. Mas seus rostos se retorceram ao reconhecerem Sitri, que sorriu para eles. Contrastando com a expressão aterrorizada dos homens, ela quase parecia um gato brincando com sua presa.

— Meu nome é Sitri Smart — ela começou. — Responda minhas perguntas e eu garanto que vocês dois saiam vivos. Onde está o Mestre dos Magos?

— Ha! Como se tivéssemos medo de morrer! Você nunca descobrirá onde ele está — disse um dos Magos com um sorriso feroz, seus olhos brilhando com determinação.

Um típico sinal de um osso duro de roer, observou Sven. Vamos ver como você lida com isso, Sitri.

— Entendo... Obrigada — disse Sitri animadamente, juntando as mãos. — Só queria confirmar que vocês realmente trabalham para ele.

Será que a Sitri está certa sobre tudo, afinal? perguntou-se Sven, embora não tivesse nenhum motivo real para duvidar dela, além da improbabilidade de sua teoria. Agora, ele via semelhanças entre a tática dela e a previsão do Mil Truques, no sentido de que ambos extraíam informações dos menores detalhes. Até agora, ele preferia o método da Sitri, pois pelo menos ela oferecia algum tipo de explicação.

Com os dois prisioneiros tremendo em silêncio no chão, Sitri se agachou até o nível deles e disse:

— Só para que saibam, eu venho caçando vocês há muito tempo. Só não esperava que começassem suas ações justamente enquanto eu estava fora no meu trabalho. Há muito que já sei sobre vocês, e muitas preparações que já fiz antecipadamente. Se possível, quero evitar recorrer à violência. Então vou perguntar só mais uma vez: onde está Noctus Cochlear?

Sob seu sorriso impecável, seus olhos brilhavam em busca de respostas. O sorriso parecia tão deslocado em um interrogatório que drenou a cor dos rostos dos Magos capturados, mas mesmo assim eles continuaram de boca fechada.

— Dor não é minha ferramenta preferida de interrogatório. Então... trouxe comigo uma poção que acho que pode ajudar a soltar suas línguas um pouco.

Abrindo rapidamente a bolsa de poções presa ao seu cinto, ela tirou um frasco contendo um líquido de cor lavanda. Talia arfou em silêncio ao ver aquilo.

Um dos agentes do Bureau exclamou asperamente:

— Isso não pode ser um frasco de Kakia!

Nenhuma resposta.

— Essa é uma poção perigosa que pode afetar a mente deles. Zebrudia proibiu seu uso e fabricação sob qualquer circunstância! Não ouse usar isso como um soro da verdade! E como conseguiu colocar as mãos nisso?! Foi você mesma que preparou?

Além de servir como soro da verdade, a droga também podia ser usada para apagar memórias ou até mesmo para lavagem cerebral. A expressão nervosa do agente enquanto apertava o pulso de Sitri era um indicativo do quão perigosa Kakia podia ser.

— Tempos desesperados — disse Sitri. — Não temos muito tempo antes que eles escapem.

— Você ousa quebrar a lei tão descaradamente na frente de um oficial?!

— Sim; em busca da justiça. — Sitri fez um gesto como se estivesse cobrindo os ouvidos — não ouvir o mal.

A fúria parecia reluzir em uma gama de cores na expressão do agente.

O que ela está pensando...? perguntou-se Sven.

Seja qual fosse o motivo de Noctus e sua equipe para atacarem os caçadores, Sven sabia o quão cautelosos os Magos eram. Fazia sentido, como Sitri havia dito, que eles não ficariam mais tempo do que o necessário. Mas ainda assim, dois erros não fazem um acerto. Os caçadores reunidos ali não eram criminosos acostumados a atos ousados de ilegalidade. Se Sitri tivesse usado a droga ilegal discretamente, seria uma coisa. Mas quase exibi-la diante daquela multidão parecia arriscado demais.

Comandando cada par de olhos no acampamento, Sitri disse com um meio sorriso:

— Estou brincando... Isso aqui é só água colorida.

— O quê?!

— Veja. — Sitri puxou a rolha do frasco e bebeu seu conteúdo antes que alguém pudesse detê-la. Os Magos do batalhão assistiram horrorizados enquanto ela engolia o líquido e limpava a boca com as costas da mão. A luz gentil em seus olhos pareceu piscar por um momento.

— Está tudo bem. Eu desenvolvi uma imunidade a água colorida. Além disso, parece que estamos sem tempo. Vamos guardar as perguntas para depois.

Seguindo o exemplo de Sitri, Sven percebeu que o chão estava tremendo levemente. Os caçadores não perderam tempo em se armarem, entendendo o que estava por vir. Alguns estavam pálidos de medo, outros endurecidos pela determinação, e alguns ainda estavam olhando para Sitri.

Amarrado e se contorcendo no chão, um dos Magos de Noctus gritou freneticamente:

— Aqui vêm os reforços! Este é o fim! Morte a todos que se opõem à nossa nobre causa!

Gark pegou sua alabarda Relíquia da carruagem e se posicionou para proteger os dois não combatentes.

Sons de árvores sendo derrubadas e uma cacofonia de guinchos familiares se aproximavam rapidamente.

Sven estalou a língua e disse:

— Então há mais deles!

— Imaginei isso pelo que Gein nos contou — disse Sitri. — Eles provavelmente são um modelo de produção em massa.

— Produção em massa... Não gosto do som disso. Algum plano? — perguntou Sven.

— Vamos atacar em turnos, começando com ataques físicos. Uma barreira de mana pode proteger seu usuário refletindo, desviando ou bloqueando ataques. Talvez pressão contínua possa empurrar uma lâmina através dela, ou um certo elemento mágico possa atravessá-la. De qualquer forma, testes revelarão sua fraqueza. Já derrotei esse fantasma uma vez — eu lidero.

A calma de Sitri parecia se espalhar para os outros caçadores enquanto formavam um círculo ao redor dela. Sua túnica folgada a fazia parecer mais uma estudiosa do que uma caçadora se preparando para o combate, mas ninguém parecia se importar com isso.

— Temos o Demônio da Guerra ao nosso lado. Eles não devem ser um problema — disse Sitri.

Gark riu.

— O ex-Demônio da Guerra, para você. Estou aposentado, garota. Não conte comigo para carregar vocês nessa. — Um sorriso surgiu sob o capacete que ele colocara para completar sua armadura. — Faz tempo que não brinco no campo de batalha. Vou acabar com uma centena deles.

— Deve haver um limite para o dano que a barreira pode suportar — observou Sitri. — Embora, se a flecha do Sven não conseguiu perfurá-la, podemos ter dificuldades para chegar nesse limite.

Então, enquanto Sitri refletia, um slime falso surgiu da floresta e invadiu a clareira.

— Sua cor é diferente! — disse um dos caçadores.

— Provavelmente tem uma base diferente! — comentou Sitri.

Diferente do último limo, que tinha manchas pretas e brancas, este era completamente carmesim. E embora fosse apenas um terço do tamanho, estava se movendo duas vezes mais rápido. Ainda era lento o suficiente para que os caçadores pudessem desviar, mas não seria tão fácil. Essa constatação abalou os caçadores.

A voz de Sitri, calma, mas firme, ecoou:

— Vanguarda, à frente. Bloqueiem com seus escudos!

— O quê?! — Lyle hesitou, prestes a abrir caminho.

— Vou medir a direção e magnitude do campo de força. Puxe o escudo para trás e recue no momento em que sentir qualquer peso sobre ele. Isso é necessário para que possamos derrotá-lo!

Lyle olhou para o escudo em sua mão esquerda, ergueu-o conforme ordenado e se firmou no lugar.

Quando a gosma se aproximou o suficiente de Lyle, ela se impulsionou para frente, mirando um ataque com toda a força. No momento em que colidiu com o escudo dele, o impacto fez o escudo girar e voar de suas mãos.

Um arrepio percorreu a nuca de Sven. Com sua visão afiada, ele viu toda a sequência. Agora entendia como Gein havia perdido o braço e como aquela falsa gosma conseguia destruir árvores ao simples toque. O escudo de Lyle girou violentamente ao colidir com a criatura. Ele conseguiu segurá-lo por apenas um instante antes que o torque se tornasse forte demais, e perdeu a chance de soltá-lo. Como estava segurando o escudo com ambas as mãos, seus braços foram arrastados pelo giro, e a força esmagou seus ossos e rasgou sua carne. Então, o escudo foi lançado para longe.

Gritando de dor, Lyle foi puxado para longe da falsa gosma por dois caçadores que o seguravam pelas axilas, enquanto o resto de seus braços pendia, mal se mantendo preso ao corpo.

A falsa gosma parou sua marcha, agora observando os caçadores.

— Curandeiros, cuidem dele, por favor. Magos, mantenham a criatura afastada com magia de fogo por todos os lados — ordenou Sitri, sem hesitar. — Então, é um campo de força rotacional. Sentido horário? Depende do ponto de impacto? Com força suficiente para atravessar o escudo de um guarda... combate corpo a corpo contra isso seria um pesadelo. O Luke ia adorar a chance de cortar essa coisa.

Uma tempestade de fogo caiu sobre a falsa gosma, lançada por uma grande equipe de Magos coordenando seus ataques para manter um bombardeio constante.

— É forte demais... — murmurou Sven. — Ou pelo menos, dá muito trabalho. Prefiro nem lembrar que essa coisa é tecnicamente viva. Sitri, você disse que ela se desintegraria com o tempo?

— Teoricamente — ela respondeu. — Mas, na prática, não no nosso caso. Considerando a massa corporal dela, a quantidade de mana gasta no campo de força e a mana gerada pelo seu núcleo, ela vai durar pelo menos uma hora. Lançar feitiços contra a barreira consome parte da mana dela, encurtando esse tempo um pouco. Mas, considerando a qualidade e quantidade dos Magos aqui, nossa melhor estratégia é encontrar uma fraqueza por tentativa e erro.

— Quanto tempo isso vai levar? A gente vai aguentar?! — perguntou Sven.

— Vou descobrir o mais rápido possível. Mas fugir não é uma opção — disse Sitri.

Sven xingou. Não há outro jeito?

Ele até havia recolhido as flechas disparadas contra a primeira falsa gosma, mas sabia que não faria diferença nesta segunda, já que seu melhor disparo sequer havia deixado marca na anterior.

Será que Ark conseguiria atravessar essa barreira? A sensação de impotência ameaçava dominá-lo. Não tem tempo para lamentação, Sven se forçou a pensar. Pelo menos, posso ajudar a segurá-la.

Enquanto isso, Sitri murmurava sua análise em voz baixa:

— Já sei... Magia de disparo rápido em um ponto concentrado pode perfurar ou anular temporariamente a barreira... Solução altamente técnica, não viável com esse time...

— Tem outra! — gritou Sven.

— O quê?! — Pegando-a de surpresa, Sitri ergueu o olhar.

Outra falsa gosma avançava na direção deles, devastando a floresta ao passar. A criatura que estava sendo contida pelos feitiços de fogo se virou, observando sua nova aliada, idêntica em tamanho e cor.

— Não... — Talia soltou um gemido fraco. — Nem conseguimos... derrotar a primeira ainda.

Sven finalmente entendeu por que Krai queria Ark para essa missão. Ele achava que já tinha aprendido, da pior forma, o quão traiçoeiros eram os Mil desafios de Krai, mas ainda não estava preparado para isso. Lidar com um inimigo praticamente invencível já era difícil, mas enfrentar múltiplos deles? Isso estava longe de ser um simples “desafio”.

Podemos segurar as duas por um tempo, considerou Sven, mas já estamos no limite com uma só... Não vejo saída. Mesmo se tentássemos fugir, será que conseguiríamos, nesse estado de exaustão?

Até mesmo Sitri olhava para o par de falsas gosmas com espanto.

— Vamos dar o fora, Sitri. Isso está além do nosso alcance.

Sitri soltou um longo suspiro e disse:

— De fato... Não esperava que usassem mais de uma de uma vez. — Seus olhos se voltaram para o chão.

Fugir é nossa única opção, pensou Sven. Me preocupo com a pesquisa do Noctus, mas não podemos segui-la se estivermos mortos. Ele olhou para Gark, que assentiu em resposta. Vamos fugir de gosmas incansáveis que engolem tudo em seu caminho... e agora são duas! Ou fugimos, ou morremos.

Justo quando Sven estava prestes a ordenar a retirada, Sitri gemeu em frustração e disse:

— Que anticlimático... Que imbecil trabalha na Torre Akashic?!

— Hã? — Sven ficou sem palavras diante do comentário inesperado.

— Magos, parem o ataque — ordenou Sitri. — Todos, recuem.

Hesitantes, os Magos cessaram o bombardeio e se afastaram do par de falsas gosmas... que não avançaram sobre os caçadores, mesmo sem estarem mais sob ataque. Elas apenas se encaravam.

Quando a segunda falsa gosma chegou a cerca de dez metros da primeira, parou. Então, dobrou os joelhos, preparando-se para saltar, e a outra fez o mesmo. Então, ambas pularam e se chocaram no ar.

— O que diabos...? — murmurou Sven, perplexo.

Era como assistir a uma luta de feras selvagens; uma gosma ergueu seu braço sem dedos, e a outra lançou a cabeça contra ele. Cada impacto vinha acompanhado de um som explosivo, e as falsas gosmas continuaram a se chocar, derretendo mais e mais a cada golpe.

Bocas abertas, os caçadores apenas observavam o embate se desenrolar, de repente aliviados por não estarem mais à beira da morte. Até mesmo os aprendizes de Noctus estavam boquiabertos com a cena.

— Isso comprova minha hipótese — disse Sitri. — Elas não estavam nos atacando por pensamento racional ou malícia, mas por puro instinto de sobrevivência — estavam buscando mana para regenerar seus corpos em fusão. Elas não obedecem a ordens humanas. Naturalmente, ao encontrarem outra igual, elas começam a se matar... afinal, fantasmas são uma fonte melhor de mana do que caçadores. — Com a mão na testa, Sitri observava as falsas gosmas.

Agora que ela havia explicado, os caçadores entendiam como isso aconteceu. Enquanto isso, as falsas gosmas continuavam colidindo com a mesma ferocidade, diminuindo de tamanho a cada impacto. Nenhuma delas sequer olhava para os caçadores.

— Acho que... tivemos sorte — disse Sven.

— Isso pode ser considerado uma fraqueza, suponho — disse Sitri.

— Outra! Quantas dessas coisas existem...? Ah...

A terceira falsa gosma saltou para a batalha entre as outras, e um cheiro pungente se espalhou pelo ar. A tempestade explosiva de barreiras de mana cresceu, ignorando completamente os caçadores.

Até os dois prisioneiros observavam a cena, estupefatos.

— Isso não pode ser... Nunca nos disseram que—

— Agora, graças aos seus ‘amigos’ cuidando daquela interrupção, podemos continuar nossa negociação — disse Sitri.

Com os dois agentes do Departamento de Investigação de Cofres exaustos e atordoados, e com os caçadores observando os slimes colidirem à distância, não havia ninguém por perto para impedir Sitri. De pé sobre os cativos, Sitri lançou-lhes olhares assassinos.

Então, Talia se aproximou timidamente e disse:

— Hum... Sitri, talvez devêssemos nos reagrupar na capital. Não esperávamos tudo isso, e alguns de nós estão no limite...

Os ataques incessantes dos falsos slimes haviam esgotado todo o batalhão. Diferente de Sitri, que se juntou à missão depois, os caçadores já estavam vasculhando o cofre do tesouro antes de tudo isso. A maioria ainda tinha resistência para continuar, mas estavam mentalmente esgotados. Afinal, caçadores de alto nível ainda eram humanos; até mesmo Sven começava a sentir o peso do dia. Embora a sugestão de Talia fosse um pouco cautelosa, Sven tendia a concordar com ela.

— Podemos montar outro time para lidar com Noctus Cochlear e... — Talia hesitou.

Sitri deixou seu olhar vagar pelo ar por um tempo antes de dizer:

— Certo. Vamos descansar um pouco enquanto fazemos turnos de vigia. Eu tenho... algo que preciso investigar também. Sven, mantenha alguém de olho nos nossos cativos o tempo todo, por favor. Ainda tenho utilidade para eles mais tarde.

— Entendido — respondeu Sven.

Sitri suspirou e se afastou, presumivelmente para contemplar o próximo passo.

A Torre Akáshica certamente teria mais truques na manga além desses falsos slimes, presumiu Sven. O que fazemos agora...?

Enquanto se preparava para dar ordens ao batalhão, ele olhou para os Magi cativos, cujas expressões haviam mudado drasticamente em apenas um minuto. A determinação mortal de proteger seus segredos havia sido substituída por um completo espanto—eles não podiam acreditar no que viam, seus olhos fixos na Alquimista de cabelos carmesim.

Olhando furioso para Flick e seus dois companheiros estava um par de olhos ardentes pertencentes a Noctus Cochlear, um homem cujo rosto era esculpido por rugas profundas, testemunho de décadas de dedicação à sua pesquisa. Dele emanava uma aura tremenda de mana, tão intensa que ofuscava até mesmo Sophia e Flick, um Magus de alto nível.

— Vocês sabem por que foram convocados — disse Noctus.

Seus três aprendizes se encolheram diante de sua fúria.

— S-Sim, falhamos com o senhor...

Nenhum dos aprendizes esperava que os fantasmas transmutados atacassem uns aos outros. Para piorar, eles não puderam libertar todos os fantasmas de uma vez, pois precisavam injetar a poção em cada um individualmente, o que atrasou a percepção da tendência canibalística das criaturas. Quando a poeira baixou, Flick já havia gasto todas as poções de transmogrificação—uma parte substancial de seu arsenal—tudo porque desobedeceu à ordem de Sophia. A humilhação fez seus ombros tremerem.

Noctus bateu seu cajado no chão com raiva e disse:

— Eu não ordenei que seguissem as ordens de Sophia como se fossem minhas?! Sua estupidez não tem fim?!

A voz de Sophia ecoou pela Pedra Sônica ativa sobre a mesa.

— Aquilo foi uma arma altamente eficaz a um custo muito baixo. A maioria dos inimigos seria completamente dominada pelo seu poder destrutivo e defesa quase impecável, apesar de sua curta duração.

A fase um foi um desastre completo, mas Sophia ainda não havia se apresentado aos outros aprendizes. Isso enfureceu Flick tanto que ele mordeu o lábio até sangrar.

— O que torna caçadores de alto nível ameaçadores não é sua capacidade de combate, mas sua adaptabilidade — continuou Sophia. — Armadilhas mal planejadas e monstros puramente destrutivos não conseguem sequer atrasá-los. A poção foi testada de forma inadequada e estava longe de ser perfeita, claro, mas isso não seria um problema com um mínimo de imaginação. Se tivessem considerado por que eu escolhi implantá-los um de cada vez, por exemplo.

Exatamente porque não havia nem um traço de zombaria no tom de Sophia, Flick foi cegado pela raiva. Se não fosse pelo olhar afiado de seu mestre, ele teria chutado a mesa em protesto contra a falta de explicação de Sophia.

— Perdoe a incompetência dos meus colegas aprendizes, Mestre — concluiu Sophia.

— A poção era apenas uma pequena parte da nossa pesquisa — disse Noctus, enterrando sua raiva. — Ainda temos muitas outras armas para lançar.

Como praticante da ciência proibida, Noctus se esforçou para construir defesas que protegessem seu trabalho tanto da lei quanto dos fora da lei. Em seu arsenal ainda havia quimeras criadas a partir de monstros, poções que aprimoravam o corpo humano e uma última linha de defesa que lhe custou um braço e uma perna—A Torre Akáshica não recuaria apenas porque uma de suas armas foi esgotada.

— Nossas suposições já estavam erradas — disse Sophia com seriedade. — Não apenas os caçadores saíram praticamente ilesos, como também têm Gark Welter entre suas fileiras—estamos enfrentando um ex-Caçador de Nível 7 que supostamente se aposentou. Ele é um herói, sem dúvida.

A gravidade da situação também se refletiu no rosto de Noctus. Ele conhecia bem Gark, o homem responsável pelo ramo da Associação na capital. Gark era um guerreiro tão temido que existia até um boato—embora duvidoso—de que ele caçava dragões, amplamente considerados a espécie mais poderosa, por esporte. No entanto, ele não era do tipo que saía da cidade com facilidade. Na verdade, Gark nem sequer constava na lista de caçadores designados para essa missão, uma informação que Noctus havia obtido antecipadamente.

— Como estamos sem fantasmas, teremos dificuldades para enfrentá-lo — disse Sophia.

Finalmente, Flick explodiu.

— Sophia! — gritou ele para a Pedra. — Você está tão determinada a jogar toda a culpa em mim?!

Sim, Flick havia cometido um erro. Mas já era surpreendente o suficiente que o primeiro fantasma transmutado não tivesse derrubado pelo menos um caçador.

A culpa não é só minha, pensou ele.

Ignorando Flick e seu chilique, um homem encarregado da vigilância apoiou as mãos sobre a mesa e disse:

— Devemos recuar? Se voltarmos agora, podemos minimizar nossas perdas.

— Não — respondeu Sophia imediatamente. — Recuar agora, sem nada para mostrar, é o mesmo que admitir derrota. Além disso, dois dos nossos estão sendo mantidos reféns. Eles podem ser forçados a revelar nossas informações a qualquer momento.

— Você está insultando eles?! — rugiu Flick. — Nem uma única palavra sobre nós escapará de seus lábios, nem mesmo no último suspiro!

Flick havia treinado pessoalmente os Magi capturados. Eles eram seus companheiros de pesquisa e muito melhores Magi do que Sophia.

— Eu gostaria de acreditar nisso, Flick.

Bufando de indignação, Flick sentia dolorosamente o desprezo nos olhos de seu mestre voltados para ele. Fracasso após fracasso. Nesse ritmo, sua posição como Segundo Aprendiz poderia estar em risco, mesmo que de alguma forma conseguisse sair dessa situação—o que o colocaria em um status inaceitavelmente inferior ao de Sophia.

— Vamos desgastá-los primeiro e acabar com eles com "Akasha" — disse Sophia, sem um pingo de raiva. — Este é o ponto de virada—mate todos, e não restará nenhum rastro nosso para seguir. Liberem os Devoradores de Malícia.

A expressão de Flick se endureceu com a implicação.

Os Devoradores de Malícia, criados através de incontáveis experimentos liderados por Noctus e Sophia, eram quimeras compostas por uma complexa combinação de monstros; armas vivas revolucionárias. Ao contrário dos fantasmas transfigurados, que não podiam obedecer ordens, os Devoradores de Malícia eram obedientes, poderosos e cooperavam entre si. No entanto, não podiam ser facilmente repostos e, mais importante—

— Precisamos de um maestro para utilizar todo o seu potencial — disse Noctus.

Apesar de altamente inteligentes, os Devoradores de Malícia não compreendiam estratégia, nem haviam recebido treinamento suficiente para funcionar plenamente como armas. Combinado à falta de opções de ataque à distância, as quimeras pareciam uma escolha um tanto limitada para enfrentar um batalhão de caçadores, incluindo múltiplos veteranos renomados.

Uma gota de suor frio escorreu pela bochecha de Flick.

— Tenho certeza de que Flick está ansioso para provar sua utilidade — falou a voz além da Pedra Sonora, sem misericórdia. — Tenho alguns preparativos finais a fazer. Todos os Devoradores de Malícia estão à sua disposição. Mal posso esperar para testemunhar sua... proeza tática. Embora, se um Magus de sua reputação não puder produzir nenhum resultado com eles...

— Entendido...! — rosnou Flick, mal contendo o sangue fervente.

A penumbra do crepúsculo já havia envolvido a floresta; o sol quase desaparecera no horizonte. A noite pertencia aos monstros—nem mesmo os sentidos aprimorados de um caçador eram tão aguçados no escuro. Por isso, um dos princípios mais básicos da caça ao tesouro era acordar e descansar com o sol.

Do lado de fora da Toca do Lobo Branco, o acampamento dos caçadores era iluminado por uma fogueira. Tudo estava em silêncio agora que os limos falsos haviam se canibalizado até a extinção.

No campo de batalha imprevisível, o espírito dos caçadores se esgotava mais rápido do que sua resistência, comprometendo até mesmo os mais bem treinados. Não havia um único rosto entre eles que não exibisse sinais de cansaço. O par de agentes do Departamento de Investigação de Cofres, que não eram tão resistentes fisicamente, descansava de lado, completamente exausto.

— No dia em que testemunhamos o Jardim Prismático se materializar, fui ao inferno e voltei. Comparado àquele dia, hoje foi um passeio no parque — disse Sven.

— Foi tão ruim assim, hein? — comentou Gein.

Gein e os outros caçadores que não eram da Primeira Expedição cochichavam entre si, incrédulos. Entre eles também estava Henrik, que não havia estado presente para ver o evento com os próprios olhos.

O "incidente da observação das flores" ainda era contado entre os membros da Expedição. Aquele foi um ponto de virada para todos que estiveram lá—tudo o que achavam que sabiam sobre caça ao tesouro foi descartado naquele dia.

— Nosso inimigo hoje foi um fantasma, mas naquele dia lutamos contra o próprio ambiente — disse Sven.

O Jardim Prismático, como o nome sugeria, era um cofre de tesouro repleto de flores belas, das mais variadas formas e cores. Mas sob essa fachada pitoresca, escondia-se um jardim infernal: um cofre de nível 7 que ainda assombrava Sven em seus pesadelos.

— O pólen — explicou ele — derrubou metade da Primeira Expedição segundos após o cofre se materializar.

O Jardim Prismático havia surgido em um campo de flores já existente. O material de mana transformou o campo em um mar de flores misteriosas, cujas pétalas e pólen encheram o ar. As flores esbranquiçadas induziam o sono em qualquer um que as tocasse ou cheirasse. O efeito era tão potente que até mesmo caçadores de mente forte desmaiavam em questão de segundos.

Os cofres do tesouro podiam ser categorizados não apenas por seus layouts, mas também por vários outros fatores. Entre eles, o Jardim Prismático era classificado como "Ambiental", indicando que o ambiente era o aspecto mais desafiador do cofre.

— Houve uma grande mudança nas linhas ley — explicou Sven. — Minha visão mudou de repente. E antes que eu entendesse o que estava acontecendo, minha consciência já estava desaparecendo. As flores não apenas faziam você dormir—elas paralisavam, envenenavam, faziam muito mais do que isso. Mas, é claro, ainda tivemos que lidar com fantasmas além disso: plantas carnívoras e feras adaptadas àquele ambiente, transformadas em poderosos fantasmas. Todo o cofre era uma armadilha pronta para pegar caçadores—não havia chance de sair vivo dali sem uma preparação massiva.

— Então, como vocês saíram vivos? — perguntou um dos caçadores.

— Tivemos sorte de ter os Grievers conosco.

Quando o Jardim Prismático se materializou pela primeira vez, ele não era tão letal quanto é hoje, pois ainda não havia acumulado tanto material de mana. Mas para grupos centrados em combate, como a Cruz Obsidiana, era praticamente o pior cofre possível. Se fossem os únicos lá, seus corpos já teriam se tornado fertilizante para as flores há muito tempo.

— Os Grieving Souls nos tiraram de lá. Eu ainda me lembro como se fosse ontem — disse Sven.

Os Grievers agiram sem dizer uma palavra, como se já tivessem tudo planejado. Enquanto Sven estava semiconsciente, ainda sem entender o que acontecia ao seu redor, Liz enfiou uma adaga em seu próprio estômago, Luke mordeu a própria língua até arrancá-la, e Lucia quebrou o próprio dedo mindinho; cada um despertou com a dor. Então, colocaram suas máscaras que simbolizavam seu grupo.

O vento dispersou o pólen, e as chamas queimaram as flores. A cena de caveiras sorridentes vagando livremente pelo campo em chamas e fumaça ficou gravada para sempre na memória dos caçadores da Primeira Expedição que ainda estavam conscientes para testemunhar.

Tudo por causa de suas decisões tomadas em frações de segundo.

Os Grievers ganharam suas alcunhas e fama agora, mas na época estavam no mesmo nível da Cruz Obsidiana, com capacidades físicas e níveis similares. Como, então, os Grievers foram tão rápidos em tomar decisões impensáveis de automutilação? Em retrospecto, Sven sabia a resposta. A experiência separava os Grieving Souls da Cruz Obsidiana. Embora a Cruz estivesse no ramo há mais tempo, os Grievers haviam passado por muito mais situações de vida ou morte.

Como o poder sempre gerava respeito no mundo dos caçadores de tesouro, ninguém na Primeira Expedição ousaria falar mal dos Grieving Souls—ao menos, não abertamente. Sua reputação estava longe de ser impecável, mas ainda assim, os Grievers conquistaram seguidores fanáticos.

Os Grievings Souls e seus saltos insanos para a ação inspiravam medo até mesmo em Sven. A palavra “talentoso” simplesmente não fazia jus a eles—os Grievers eram sobre-humanos.

E Sven agradecia ao destino por tê-los no mesmo clã. Ainda assim, não tinha a intenção de permanecer estagnado depois de testemunhar aquilo; afinal, ainda possuía orgulho como caçador. Muitos outros caçadores deviam compartilhar desse sentimento, já que os Primeiros Passos haviam crescido a ponto de se tornar um dos clãs com o maior registro de membros na capital. E foi por isso que tantos caçadores ainda atendiam prontamente aos pedidos de Krai até hoje.

Enquanto os caçadores ao redor da fogueira ouviam Sven recontando a história, seus dois prisioneiros permaneciam amarrados de lado, sem esboçar qualquer resistência. Seus olhos estavam fixos em algo—ou melhor, em alguém.

Sven percebeu algo peculiar em seus olhares e disse:

— Ei, Talia, você conhece esses dois?

— Não... Nem um pouco.

Talia desviou o olhar para o chão, claramente mais exausta do que a maioria dos outros caçadores. Em contraste, Sitri parecia completamente inabalável pelo dia de trabalho.

— Hm... Sven, me desculpe... pelo mata-slime — disse Talia, encolhendo-se dentro de seu manto.

— Hã? Ah, não esquenta. A culpa é toda do Krai.

Sven havia contado com a poção de Talia para funcionar, mas não era culpa dela que não tivesse dado certo. Considerando que ela sequer havia participado da fabricação, não deveria carregar essa culpa. Se Sven tivesse que culpar alguém, seria Krai por usar uma descrição vaga como “algo parecido com um slime” para uma ameaça que claramente já conhecia.

Talia ainda parecia abatida.

— Mas se eu fosse tão conhecedora quanto a Sitri...

— É... Mas você não é a Sitri. Ela é uma grande Alquimista e uma Griever, afinal. Mas se ainda se sente mal com isso, só tem um jeito: ficar mais forte — disse Sven.

— S-Sim... Obrigada.

— Eu também bolaria uns planos mestres—se pudesse ver o futuro como o Krai.

Noctus Cochlear, abuso de mana material, manipulação de um cofre de tesouros e fantasmas bizarros. Todos esses problemas juntos—sem mencionar que estavam lidando com um grande sindicato ilegal de magia—ainda não eram suficientes para fazer Krai resolver a situação pessoalmente. Em vez disso, ele apenas transformou aquilo em mais um Desafio.

Olhando para a escuridão da floresta, Sven se perguntava quando exatamente Krai decidiria se juntar a eles. Secretamente, prometeu a si mesmo que daria uma bela bronca no mestre do clã quando ele aparecesse.

Enquanto isso, Gark franzia a testa diante da gravidade da situação. Ele só havia acreditado parcialmente em Sitri, mas não havia como negar a realidade com todas aquelas provas diante de seus olhos.

A Associação não tinha plena noção de quão longe os tentáculos da Torre Akáshica se estendiam no submundo, embora soubessem que o grupo era poderoso o suficiente para matar até mesmo caçadores de alto nível ocasionalmente. A Torre Akáshica era uma das organizações mais sinistras e vastas entre os inúmeros sindicatos ilegais de magia.

Tendo recrutado diversos Magos e Alquimistas notórios, haviam cometido pelo menos vários atos de terror pelo continente, supostamente em nome da “busca pela verdade”. Naturalmente, o sindicato e seus membros conhecidos ocupavam posições nas listas de mais procurados.

Ainda assim, Gark nunca ouvira falar de operações deles dentro do império. Seus experimentos deviam ter sido mantidos extremamente secretos. Sem Krai e Sitri, Gark jamais teria descoberto a verdade até que os experimentos tivessem sido concluídos.

A determinação de Sitri em caçá-los quase rivalizava com o empenho da Torre Akáshica em manter-se oculta. Apenas a partir de uma única tese, ela descobriu o sindicato que permanecera despercebido por tanto tempo. Gark não conseguia imaginar que tipo de rabiscos maníacos havia naquele documento para fazer Sitri persegui-los tão obstinadamente.

Ao longo dos anos, Gark se tornou bastante familiar com os Grievers e sabia que Sitri não era nenhuma santa, mas sim uma encrenqueira—embora de um jeito diferente de Liz ou Luke. Para simplificar, o problema com Sitri era que ela faria qualquer coisa para alcançar seus objetivos, como havia demonstrado ao quase drogar os prisioneiros com uma poção ilegal.

O que ela quer, afinal? — pensou Gark. Será que está atrás de algo que a Torre Akáshica mantém em seu cofre, provavelmente protegido por mecanismos e outros caçadores?

Mas logo afastou a ideia absurda da cabeça. Embora não fosse impossível imaginar que o sindicato acumulava itens raros, Sitri jamais perseguiria algo que não pudesse ser verificado. Além disso, os Grievers eram fortes o suficiente para caçar qualquer item raro que quisessem por conta própria. Gark decidiu que não faria suposições precipitadas—isso não condizia com um gerente de filial da Associação.

Nesse momento, Sitri retornou ao acampamento após inspecionar os estragos causados pelo canibalismo dos falsos slimes. Atrás dela, os Ladinos que trouxera estavam engajados em uma conversa séria.

Sven, que vinha sendo o principal responsável por vigiar o acampamento, levantou-se para cumprimentá-la.

— Nada de novo do meu lado. Encontrou alguma coisa, Sitri?

Ela sorriu com um leve cansaço e disse:

— Sim. Que tal a localização aproximada da base deles?

— O quê...? — perguntou Sven.

Enquanto o medo se espalhava pelo rosto dos dois prisioneiros, Sitri tirou um grande mapa dobrável de sua mochila.

— Para falar a verdade, eu já tinha alguns locais em mente.

O mapa mostrava as áreas vizinhas à capital, incluindo onde estavam agora. Sitri havia colorido zonas e anotado detalhes como informações topográficas por toda a superfície do mapa.

— Uma base próxima a um cofre de tesouros era um dos requisitos fundamentais para instalar o dispositivo descrito na tese de Noctus. Com o tempo, investiguei cada local candidato e considerei fatores como o fluxo das linhas ley abaixo deles, a densidade de mana material nesses lugares, os dados topográficos e geológicos e afins. No fim, não sobraram muitas opções adequadas para esconder um laboratório. Cruzando essas informações com o local onde eles soltaram aquela aberração hoje, cheguei à resposta.

O trabalho de um Alquimista envolvia naturalmente muita pesquisa, mas a busca de Sitri era movida por obsessão. Até mesmo os agentes do Departamento de Investigação de Cofres pareciam impressionados com o nível de meticulosidade demonstrado no mapa.

— Isso aqui é bem mais informação do que você conseguiria pesquisar sozinha — comentou Sven.

— O Krai me ajudou... só um pouquinho — admitiu Sitri.

— Então é isso que ele faz quando nunca vai aos cofres...

Sitri guiou o grupo pelo mapa, marcando local por local com uma caneta. Durante toda a explicação, ela nunca usou um vocabulário excessivamente complicado, mas ainda assim demonstrou sua inteligência afiada. Usando informações que qualquer um poderia ver na superfície—como a densidade aproximada de mana calculada a partir das linhas ley, a conveniência do local para quem quisesse construir um laboratório, a dificuldade de defender a localização contra atacantes, o volume de tráfego e o alcance dos feitiços que poderiam ser usados para vigilância—Sitri deduziu os possíveis locais com uma lógica brilhante e palpites bem calculados. Eventualmente, ela reduziu as inúmeras opções para um local próximo de onde estavam.

— Portanto, acredito que a base deles está localizada junto ao penhasco aqui. A abertura lateral permite uma fuga e defesa fáceis; não chama tanta atenção quanto erguer um prédio e é muito menos trabalhoso do que cavar uma estrutura subterrânea do zero; há água por perto; e não é muito longe de onde o primeiro falso slime foi liberado.

— P-Perda de tempo! — gritou de repente um dos cativos. — Vocês nunca vão encontrar com esses palpites!

Apesar de estar amarrado há horas, ele ainda parecia energético o suficiente para se debater.

Com um sorriso, Sitri passou o dedo pelo mapa e disse:

— Estou bastante confiante. Vamos mandar um grupo de reconhecimento.

Então, o cativo começou a gritar descontroladamente:

— Matem ela! Sophia! Me soltem! Não deixem ela chegar perto do nosso mestre!

Seus berros ecoaram pela floresta.

Gark olhou para Sven e pensou: Sophia? De quem ele está falando?

Claramente também desconhecendo o nome, Sven devolveu um olhar confuso. Parecia que o cativo estava chamando por uma agente oculta, que certamente sabia que não deveria se revelar ao ser chamada.

— Sim... Como seria fácil se ela simplesmente aparecesse — disse Sitri, franzindo as sobrancelhas.

Os ombros de Talia estremeceram com o tom brutal da voz de Sitri.

— Ei, Sitri... você reconhece esse nome? — perguntou Sven.

— Ora, sim. Ela é o segundo objetivo da minha busca — explicou Sitri. — Ela é a primeira aprendiz de Noctus Cochlear e minha némese, por assim dizer. Não importa o quanto eu descubra sobre ela, ela simplesmente desaparece nas sombras. Esta pesquisa não vai parar até que apreendamos os dois. Se eu tivesse que descrevê-la... — Sitri olhou para Talia com um toque de melancolia. — Eu a chamaria, junto de Noctus Cochlear, de os "Ignóbeis".

— Você não conhece a Sophia! — gritou o mago cativo, se debatendo, com os olhos agora injetados de sangue. — Um fracasso de Nível 2 como você nunca terá chance contra ela!

Sitri olhou em seus olhos com um olhar gélido e disse:

— Eu não vou perder. Foi minha culpa não tê-la apreendido antes. Pelo bem de todas as pessoas da capital, eu juro pela minha honra que um dia a trancarei na grande prisão de South Isteria.

Sua determinação fez o mago cativo estremecer.

Talia a observava com preocupação.

E Gark começou:

— Sitri—

— Não me incomoda — disse Sitri, com um sorriso triste no rosto. — Como eu disse, eu também fui culpada.

— Eu te amo, Krai Baby!

Por que eu sempre fico assim por causa dela?

Eu estava andando pela rua à noite. Liz se agarrava ao meu braço direito, e Tino me seguia desanimada à esquerda.

Fora dos portões da capital, só havia escuridão. Mesmo um céu cheio de estrelas não ajudava muito na visibilidade. Sair da cidade com quase nenhuma mana restante nos meus Relíquias era praticamente suicídio, mas agora não tinha mais o que fazer.

A única que brilhava de empolgação era Liz.

— Rápido! Rápido! Rápido! Temos que chegar lá antes que a Siddy morra!

— Ela não vai morrer... — eu disse. Isso daria uma bela dor de cabeça.

Desculpe, Sitri, pensei em silêncio. Prometi que não deixaria a Liz sair por aí solta, mas agora... Pelo menos vou ficar de olho nela... tudo bem? Por favor, me perdoe.

Exausto, continuei arrastando os pés, um após o outro, em direção ao Covil do Lobo Branco.

Tino puxou minha manga esquerda.

— Mestre, hum... — disse hesitante, — pode ser perigoso para mim no escuro... Posso segurar sua outra mão...?

O quê? A Tino acha que eu estou de mãos dadas com a Liz? Ela só está irritantemente pendurada no meu braço.

Minha visão noturna era péssima, então eu nem conseguia enxergar direito à minha frente. Já tinha tropeçado várias vezes no caminho até ali.

Quão útil eu sou?!

Ativei Olho da Coruja. Agora eu podia enxergar no escuro como se fosse dia.

Percebendo o pedido de Tino, Liz disse num tom ameaçador:

— O quê foi que você disse, Tino?

— Não, Liz — intervim.

— Ela nunca vai segurar sua mão em milhões de anos-luz, Krai Baby. Sonha! Seu trabalho é protegê-lo!

— Hã... "Ano-luz" é uma medida de distância, Liz, não de tempo. E pode me soltar agora? Não quero que todos tropecemos e caiamos juntos.

Liz resmungou, mas finalmente me soltou. Minha caminhada ficou um pouco mais fácil.

Com quase nenhuma relíquia à minha disposição, Liz e Tino eram minhas únicas esperanças esta noite. Olhando para trás, eu deveria simplesmente ter engolido o orgulho e recarregado minhas relíquias em algum serviço da cidade. Claro, isso só me elevaria do status de idiota inútil para idiota inútil soterrado em uma pilha de relíquias, mas pelo menos eu não morreria pensando "E se?".

Os únicos relíquias utilizáveis que eu tinha agora eram alguns Anéis de Segurança, Anéis de Disparo e minha carta na manga que Lucia tinha carregado para mim. No fim, nem precisei usar isso da última vez que fui até a Toca do Lobo Branco. Mas, no fim das contas, mesmo o melhor dos chefs não pode fazer nada sem ingredientes, e eu estava longe de ser o melhor em qualquer coisa.

Eu estava ferrado.

Bochechas coradas, Liz disse animada:

— Não se preocupa, eu vou massacrar tudo no nosso caminho por você!

Massacrar? Nossa, Liz. Não precisava... Pelo visto, Liz e eu tínhamos uma incompatibilidade trágica na definição do que é ser um guarda-costas. Cara, queria que o Ansem estivesse aqui.

— Mestre... Eu vou te proteger... então... — murmurou Tino, ansiosa para compensar minha incompetência. — Você pode me dizer... o que esperar?

Por que ela está perguntando pra mim? Como eu deveria saber? Bem, Sitri é muito boa no que faz. Com o tempo que levei para arrastar isso, pode ser que nem sobre nada para a Tino me proteger até a gente chegar lá—isso seria ótimo.

— Sei lá — respondi.

— T, qual é a graça de perguntar o que vai ter lá?! Seu trabalho é proteger o Krai Baby, não importa o que apareça! E o Krai Baby odeia spoilers.

— S-Sim, Lizzy...

O ar frio da noite estava me congelando até os ossos.

Eu só precisava aparecer, resolver isso e ir pra casa.


Tradução: Carpeado
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